Enviado da ONU tentará encontrar Aung San Suu Kyi

Suu Kyi, de 62 anos, está sob a prisão domiciliar desde junho de 2003

30 de setembro de 2007 | 07h04

O enviado especial da ONU para a Birmânia (Mianmar), Ibrahim Gambari, retornou neste domingo, 30, a Yangun vindo de Napydaw, a nova capital, onde se reuniu com a Junta Militar, e, segundo diplomatas, tentará se encontrar com a líder da oposição, Aung San Suu Kyi. Gambari viajou no último sábado a Napydaw para se reunir com os generais que governam o país e convencê-los a pôr fim à violência usada na repressão contra os monges e manifestantes civis. Antes de chegar à Birmânia, Gambari disse que esperava ter conversas "frutíferas". Ao chegar, foi levado até a "casa de hóspedes" do Estado, perto da residência de Aung San Suu Kyi, Prêmio Nobel da Paz de 1991 e líder do partido Liga Nacional para a Democracia (LND). Por enquanto, ainda não está claro se o enviado especial do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, vai se reunir com Suu Kyi. Ele a viu durante a viagem oficial que fez ao país em novembro do ano passado. Suu Kyi, de 62 anos, está sob a prisão domiciliar desde junho de 2003 e passou quase 12 anos em cativeiro dos últimos 19. Antes da chegada de Gambari, a Junta Militar, por meio da imprensa estatal, acusou a LND de instigar os protestos e prendeu diversos membros do partido - o único que resiste à intensa pressão exercida pelo regime. As visitas realizadas pelos antecessores de Gambari no cargo surtiram pouco efeito na Junta, que mantém a postura de que Suu Kyi e a LND não têm nenhum espaço no futuro político que planejam para o país mediante uma Constituição elaborada sob medida pelos militares. De acordo com fontes diplomáticas, os generais preparam um cenário no qual atuariam por trás de uma fachada civil fornecida pela Associação para a União, Desenvolvimento e Solidariedade (UDSA, em inglês), que diz ter vários milhões de filiados. Com Suu Kyi à frente, a LND venceu as eleições gerais de 1990 com maioria arrasadora, mas os resultados nunca foram reconhecidos pelos generais, que governam o país desde 1962.

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