Enviado da ONU vai ao Sudão negociar força de paz

O governo do Sudão autorizou a entrada de uma equipe formada por membros das Nações Unidas e da União Africana à província de Darfur, no oeste do país, declarou o enviado da ONU, Lakhdar Brahimi. O objetivo é preparar o terreno para que uma missão de paz das Nações Unidas se estabeleça na região."Esta missão conjunta será iniciada após consultas detalhadas e variadas em Cartum", disse Brahimi, um dos altos responsáveis da ONU, após ter se reunido com o presidente sudanês, Omar el-Bechir.Brahimi classificou a missão como um "importante passo" na cooperação entre a comunidade internacional e o Sudão, que anteriormente havia negado a entrada da equipe da ONU. Em uma resolução na semana passada, o Conselho de Segurança da ONU deu ao governo sudanês um prazo de uma semana para autorizar a entrada da missão no país.Logo após a declaração de Brahimi, o ministro de Relações Internacionais do Sudão, Lam Akol, disse que o governo quer que a participação das forças armadas da ONU em Darfur seja menor do que esperam membros do Conselho de Segurança."Se for acordado a entrada de forças armadas, estas serão forças para supervisionar, e não forças para implementar a paz", disse Akol.O governo sudanês resistiu a entrada da ONU na região argumentando que o conflito é um problema africano e que deveria ser resolvido por tropas do continente.Brahimi disse que a equipe irá visitar Darfur para revisar a necessidade da presença de membros da União Africana na região, e também discutir a possibilidade da transição de controle de tropas para a ONU.Novo acordoUm acordo preliminar para abrir novas negociações de paz que ponham fim ao conflito na região de Darfur foi assinado entre representantes do governo sudanês e de grupos rebeldes.O acordo foi assinado em Asmara, a capital de Eritréia, pelo chefe de gabinete do Governo Unitário do Sudão, Abdulbaset Sedrat, e pelo presidente da Frente do Oeste - que agrupa as organizações insurgentes do oeste - Musa Mohamed Ahmed. O mediador foi o responsável por Assuntos Políticos da Frente Popular para a Democracia e Justiça de Eritréia, Yamani Qiraby.O acordo estipula que as negociações de paz sejam conduzidas por um número determinado de responsáveis de alto nível dos dois lados, cujos nomes serão apresentados oficialmente ao mediador em um prazo máximo de uma semana antes do início das conversas.Além disso, o convênio pede que os negociadores sejam assessorados por uma equipe de analistas, que haja um grupo de observadores e que as conversas sejam realizadas na Eritréia. O acordo foi assinado 72 horas depois que três dirigentes da Conferência Al Beya, a mais importante facção rebelde da coalizão da Frente do Oeste, fossem liberados por autoridades sudanesas. O líder de uma facção rebelde em Darfur já havia assinado um acordo de paz com o governo no dia 5 de maio. Duas outras facções não chegaram a assinar o acordo, fazendo com que o cessar-fogo fosse ignorado. A crise em DarfurO Conflito de Darfur começou em fevereiro de 2003, entre árabes e não-árabes que chegaram à região no século 13. Ambos os grupos são muçulmanos. Desde 2003, a população presencia chacinas, torturas, estupros, destruição de vilas e outros abusos de direitos humanos cometidos, principalmente, pela milícia "Janjaweed", formada por tribos árabes supostamente apoiadas pelo governo Sudanês.Mais de 180 mil pessoas já morreram, a maioria por doenças e fome, e 2,5 milhões de pessoas tiveram que abandonar suas casas por causa do conflito.

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