Enviado da UE a Gaza culpa Hamas por guerra

Diplomata diz que bloco não dialogará com grupo ?terrorista? e faz crítica a Israel

Reuters, O Estadao de S.Paulo

27 de janeiro de 2009 | 00h00

Em visita à Faixa de Gaza, o chefe do programa humanitário da União Europeia, Louis Michel, afirmou ontem que o Hamas tem "imensa responsabilidade"sobre a atual tragédia humana no território palestino. Segundo informou o diplomata, o bloco europeu não dialogará com o grupo islâmico, qualificado por Michel de "terrorista", até que o Hamas renuncie definitivamente à luta armada e reconheça o Estado de Israel. Veja fotos de crianças que tentam retomar rotina em meio à destruiçãoA UE congelou sua ajuda a Gaza depois que o grupo islâmico expulsou o rival Fatah do território, em 2007. O Hamas figura na lista europeia de organizações terroristas, status que impede qualquer diálogo direto e auxílio financeiro até que o grupo abandone as armas e aceite negociar com Israel."Eu digo intencionalmente isso: o Hamas é um grupo terrorista e deve ser denunciado como tal", declarou Michel.Apesar do isolamento imposto ao grupo, o emissário anunciou que a UE auxiliará a população de Gaza com um pacote emergencial de US$ 70 milhões. Michel, porém, não especificou como o dinheiro será distribuído sem passar pelo Hamas, que governa a região.Sobre o lado israelense, o diplomata disse a jornalistas que "a ofensiva foi abominável, indescritível". Cerca de 1.400 palestinos morreram e 5 mil ficaram feridos nos 22 dias de conflito. No mesmo período, 13 israelenses foram mortos. O representante da UE pediu ainda que Israel levante o bloqueio a Gaza e condenou o desrespeito às leis internacionais dos dois lados. O chefe da diplomacia do bloco, Javier Solana, anunciou ontem que irá para a região ajudar a fortalecer o cessar-fogo.''ESTREIA'' DE MITCHELLO enviado do governo de Barack Obama para o Oriente Médio, George Mitchell, iniciou ontem à noite um tour pela região com o objetivo de "revigorar o cessar-fogo e impulsionar a paz", segundo nota do Departamento de Estado. Nomeado na semana passada pela nova chefe da diplomacia americana, Hillary Clinton, Mitchell deve visitar Egito, Israel, Cisjordânia, Jordânia e Arábia Saudita."Este governo vai procurar de maneira ativa uma paz duradoura entre israelenses e palestinos, assim como entre Israel e seus vizinhos", afirmou o porta-voz do Departamento de Estado, Robert Wood. Mitchell, porém, não terá nenhum tipo de contato com o Hamas, nem passará pela Síria, disse Wood, respondendo a jornalistas.Obama prometeu ontem que seu enviado ao Oriente Médio se envolverá de forma "vigorosa" na busca da paz entre palestinos e israelenses. "A paz no Oriente Médio é importante para os EUA e nossos interesses nacionais. É importante para mim, pessoalmente", disse o presidente.

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