Enviado de Bush discute Iraque no Chile

O presidente chileno, Ricardo Lagos, disse nesta sexta-feira a um enviado especial dos EUA que os países grandes devem obter consenso antes de utilizarem a força, como último recurso, contra o Iraque. Otto Reich, o enviado do presidente George W. Bush, disse a Lagos que o Iraque não obedeceu a resolução 1.441 do Conselho de Segurança (CS) das Nações Unidas, que obriga o regime de Saddam Hussein a desarmar-se. Lagos disse ter respondido a Reich que o Chile quer o cumprimento da resolução, e que exigiu que os EUA, Grã-Bretanha, França, Rússia e China assumam suas responsabilidades, e não as transfiram para as nações menos poderosas. Após a reunião de uma hora, Reich disse à imprensa que veio para "escutar a opinião do Chile" e negou que se tratasse de uma pressão dos EUA sobre o governo de Santiago."Não é pressão, é uma consulta", afirmou, e disse que não pediu o voto do Chile a favor de uma segunda resolução apoiada pelos EUA e que daria sinal verde para um ataque ao Iraque. O Chile é membro não-permanente do Conselho de Segurança e, ao lado dos demais 14 membros, deverá pronunciar-se sobre se autoriza ou não o ataque. Lagos disse ter indicado a Reich "com muita clareza que o Chile quer que se cumpra a resolução das Nações Unidas" e que o CS atue coordenadamente, sem divisões. "Queremos que todos se pronunciem (sobre o caso) e não ocorra o que está ocorrendo, que (alguns) países grandes vão abster-se, não vão vetar, e então somos nós (os países pequenos) os que temos que tomar a decisão", disse Lagos. Insistiu em que "nos parece importante que se chegue a um acordo, mas o acordo tem que sero de todos. Se não for obedecido, aí será preciso usar a força, mas a força tem que ser usada por uma ampla coalizão de todos os países". Reich insistiu, perante a imprensa, que o Iraque violou a resolução da ONU que o abriga a se desfazer de suas amras de destruição em massa. Referindo-se à reunião com Lagos, Reich disse que "nós não temos por que fazer pressão, (o encontro) foi muito cordial", acrescentou. Em meio à insistência de seus acompanhantes para que encerrasse a entrevista, Reich disse que o "Chile também entende que a resolução da ONU foi unânime, e foi desobedecida".Gabriel Valdés, ex-chanceler do Chile, ex-presidente do Senado e atual presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara alta, opinou que a visita de Reich a Santiago constitui, sim, uma pressão dos EUA sobre o Chile.Valdés, que é pai do embaixador chileno na ONU, Juan Gabriel Valdés, acrescentou que, por enquanto, "não há nenhuma razão para justificar o uso da força contra o Iraque".

Agencia Estado,

28 de fevereiro de 2003 | 17h20

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.