Enviado de Bush discutirá com Coréia do Sul crise nuclear norte-coreana

James Kelly, enviado do presidente americano, George W. Bush, chegará à capital da Coréia do Sul na próxima semana para debater a crise provocada pela decisão da Coréia do Norte de reativar um reator nuclear selado em 1994 pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) com o presidente eleito sul-coreano, Roh Moo-hyu, informou hoje um porta-voz do novo chefe de governo sul-coreano.Ele acrescentou que depois desse encontro, Roh, eleito com uma promessa de reformular o pacto militar com os EUA e reduzir adependência sul-coreana dos americanos, enviará a Washington umrepresentante para reforçar seu ponto de vista sobre a questão.A crise se agravou com a decisão do regime norte-coreano de retirar os selos de lacração e câmeras de monitoramento instalados pela AIEA na central nuclear de Yongbyon a fim de reativá-la para "produção de energia elétrica". A usina tinha sido fechada porque era movida a urânio enriquecido. Esse combustível nuclear pode ser transformado em plutônio, a matéria-prima da bomba atômica. A Coréia do Norte havia concordado em fechar a central e congelar seu programa militar nuclear em troca de ajuda econômica e fornecimento de petróleo pelos EUA e União Européia (UE). Mas recentemente admitiu que mantinha ativo o projeto de fabricação de bombas atômicas, o que levou os EUA e a UE a suspenderem o fornecimento de petróleo (500 mil toneladas/ ano). Em represália, o regime norte-coreano decidiu reativar a central nuclear.Segundo denúncia da AIEA, há agora um constante "entra e sai" de técnicos norte-coreanos da usina. Há ali, assegura a AIEA, cerca de 8 mil barras de urânio enriquecido, que poderiam render grande quantidade de plutônio. "A Coréia do Norte dispõe de alta tecnologia para o reprocessamento", alertou o egípcio Mohammad el-Baradei, diretor-geral da AIEA. Segundo ele, os norte-coreanos poderão fabricar várias bombas atômicas em questão de poucos meses.Diante da crise, autoridades Rússas pediu hoje à Coréia doNorte que discuta seu programa nuclear com a AIEA. O apelo russo ocorreu algumas horas depois de os Estados Unidos terem advertido a Coréia do Norte de que têm capacidade militar para ir além de um eventual ataque ao Iraque. "Diante dessa situação, uma interação entre Pyongyang e aAIEA terão uma importância especial", disse o vice-ministro deRelações Exteriores russo, Alexander Losuykov.A Rússia mantém boas relações com as duas Coréias e está empenhada em reduzir a crise na península coreana. Em declaração à agência Tass, Losyukov ressaltou que o Kremlin está focalizando meios políticos para reduzir a tensão e evitar um maior agravamento da atual crise. "Não estamos falando sobre técnica, mas sim de uma via política para resolver esse problema", insistiu. "Temos de determinar o tamanho do obstáculo e como removê-lo", concluiu.

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