Enviado de Obama promete apoio isento à transição egípcia

Subsecretário de Estado defende retorno rápido para democracia, mas EUA evitam falar em golpe

O Estado de S. Paulo,

15 de julho de 2013 | 12h55

Burns  se reuniu com o presidente de facto Adli Mansour. Foto: /Amr Abdallah Dalsh / Reuters

 

(Atualizada às 16h49) CAIRO- O subsecretário de Estado americano, William Burns, disse nesta segunda-feira, 15, que os Estados Unidos estão comprometidos a ajudar o Egito na "segunda oportunidade" de o país estabelecer um regime democrático. O número dois do departamento de Estado está em visita ao Cairo, onde se reuniu com o presidente de facto Adli Mansour e o primeiro-ministro Hazem al-Beblaui.

Burns destacou que o apoio americano à transição egípcia será transparente e não priorizará nenhuma facção política. A Casa Branca ainda não decidiu se considera a derrubada de Morsi como um golpe de Estado, o que obrigaria, por lei, a suspensão da ajuda ao Egito, de cerca de US$ 1,5 bilhões anuais.

"Não tomamos partido de personalidades ou facções políticas", disse Burns. "Não vim aqui com soluções americanas, nem dar lição a ninguém. Não tentaremos impor nosso modelo ao Egito."

Durante o encontro com Beblaui, os dois abordaram as medidas para aplicar o plano durante o período de transição instaurado depois que o Exército depôs o presidente Mohamed Morsi. Além disso, avaliaram a situação regional e internacional, informou um comunicado oficial, publicado pela agência estatal Mena. O diplomata, no entanto, fez um alerta sobre a prisão de membros da Irmandade Muçulmana.

"Se os representantes de alguns dos maiores partidos egípcios estão presos ou excluídos do processo político, como o diálogo é possível", questionou. O subsecretário pediu ainda que os militares egípcios mantenham-se afastados da vida política.

Transição. Al-Beblaui deu prosseguimento na manhã de hoje à montagem de seu gabinete de ministros. O premiê se reuniu com o ex-ministro de Telecomunicações Atef Helmy, que deve ser mantido na mesma pasta, com o ex-governador da província de Qena, Adel Labib, candidato a ministro de Desenvolvimento Local. Ahmed Daruish, que esteve à frente do Ministério de Desenvolvimento Administrativo na época do ditador Hosni Mubarak, deve voltar ao cargo.

O general Mohammed Abu Shadi revelou hoje que aceitou o posto de titular de Comércio Interior e Subvenções, enquanto os ex-ministros de Energia, Ahmed Imame, de Estado para Produção Militar, Reda Mahmoud Hafez, e de Agricultura, Ayman Farid Abu Hadid, voltarão aos seus cargos.

A formação deste Executivo é um dos passos do período de transição que começou depois que o exército egípcio destituiu Mohammed Morsi, após os protestos do dia 30 de junho que pediam a realização de eleições presidenciais antecipadas. No último dia 8, Mansur emitiu uma declaração constitucional que estabelece as bases do período transitório.

Protestos. Os ativistas islâmicos mantêm uma vigília exigindo a reinstauração do mandato de Morsi. Tanto eles quanto os adversários laicos da Irmandade convocaram grandes manifestações para a segunda-feira.

Na última semana, os atos públicos no Cairo foram pacíficos, depois da morte de 92 pessoas depois da queda de Morsi. / REUTERS E EFE

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