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Enviado de Obama se reúne em Caracas com chanceler venezuelana

Thomas Shannon foi a Caracas tentar amenizar tensão entre Washington e o governo chavista após imposição de sanções 

O Estado de S. Paulo

08 de abril de 2015 | 18h29

 CARACAS - O alto conselheiro do Departamento de Estado dos EUA, Thomas Shannon, se reuniu nesta quarta-feira, 8, em Caracas com a chanceler venezuelana, Delcy Rodríguez. A visita ocorre um dia depois de os Estados Unidos assegurarem, na terça-feira, que a Venezuela não é uma ameaça a sua segurança nacional, ao contrário do que diz a ordem executiva que autorizou sanções contra funcionários chavistas.

“Ao fim do encontro com o funcionário americano, no qual foi trazida uma mensagem de seu governo, a ministra ressaltou a exigência do anulação da ordem executiva assinada pelo presidente Barack Obama em 9 de março”, disse a chanceleria venezuelana por meio de nota. 

Segundo o Departamento de Estado, a visita é uma resposta ao convite do governo venezuelano para que o governo americano enviasse um funcionário de alta patente a Caracas para se reunir com o presidente Maduro antes da Cúpula das América.


Ainda de acordo com o departamento, o próprio secretário de Estado, John Kerry, pediu para que Shannon viajasse à Venezuela para se reunir com o líder do país, em meio ao aumento da tensão entre os dois países.

Shannon deve voltar a Washington ainda hoje. “O governo venezuelano chamou ao diálogo direto, e sempre deixamos claro que mantemos relações diplomáticas e estamos dispostos a conversar diretamente”, acrescentou a fonte americana.

Diplomatas americanos acreditam que a visita é uma tentativa de diminuir as tensões bilaterais para impedir que a má relação recente com a Venezuela prejudique a Cúpula das Américas, que será iniciada nesta semana no Panamá.

O principal assessor de Obama para a América Latina, Ricardo Zúñiga, enfatizou na conferência que a ordem presidencial se refere à situação, e não à Venezuela como país, como um risco para a segurança dos EUA.

“Não negamos que a linguagem do texto criou certa confusão em nossos parceiros” na região, disse depois Zúñiga em outro encontro com jornalistas.

Reação. Em resposta, o presidente venezuelano deu as boas-vindas ao novo gesto do governo americano.“Eu saúdo as declarações que foram emitidas por dois assessores do presidente Obama. Hoje houve declarações muito interessantes de Ben Rhodes, meu amigo Ben Rhodes (assessor adjunto de Segurança Nacional da Casa Branca), e de Roberto Zúñiga, também assessor de Barack Obama. Claro que estamos interessados na amizade com respeito”, disse Maduro durante seu programa de rádio e televisão

Ainda hoje, o governo venezuelano nomeou como ministros dois dos funcionários listados nas sanções impostas pelo governo americano. Manuel Pérez Urdaneta, que comandava a Polícia Nacional Bolivariana (PNB), foi nomeado vice-ministro de Prevenção e Segurança Cidadã. Katherine Haringhton tornou-se vice-ministra do Sistema de Integração Penal. 

 Maduro também anunciou que o ministro do Turismo Andres Izarra foi retirado do cargo. Ele será substituído por Marleny Contreras. Izarra é genro de Antonio Ledezma, o prefeito de Caracas, que no momento está sendo acusado criminalmente de conspiração contra o governo.

 Ledezma foi detido pela polícia em 19 de fevereiro sob acusações de que tentava desestabilizar o governo. Aliados do prefeito dizem que ele é um preso político./ EFE

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