Enviado de paz vai à Síria negociar cessar-fogo durante festival

O mediador internacional para a Síria viajará a Damasco nos próximos dias para tentar negociar um breve cessar-fogo na guerra entre as forças do presidente sírio, Bashar al-Assad, e os rebeldes durante o festival islâmico Eid al-Adha.

SULEIMAN AL-KHALIDI, Reuters

18 de outubro de 2012 | 21h29

Lakhdar Brahimi, o enviado conjunto da ONU e da Liga Árabe, disse a jornalistas nesta quinta-feira, após reunião com o ministro das Relações Exteriores da Jordânia, que uma suspensão das hostilidades poderia construir uma confiança e ajudar a trazer uma trégua maior no conflito que já dura 19 meses.

"Sim, eu estou indo para a Síria. Este apelo fizemos aos nossos irmãos sírios, seja no governo ou contra o governo, de parar de lutar nos três ou quatro dias do (festival) Eid na semana que vem", disse Brahimi.

Um cessar-fogo anterior, em abril, fracassou depois de apenas alguns dias, com cada lado culpando o outro. O então mediador Kofi Annan renunciou a seu posto alguns meses depois, se dizendo frustrado.

Desde então, a guerra das tropas de Assad contra uma força rebelde mal organizada que tenta acabar com seu regime de 12 anos tem se intensificado. O número de mortes diárias costuma superar 100 combatentes e civis, com confrontos em cidades como Aleppo, o centro comercial do país, e a capital Damasco.

A trégua seria autoimposta, sem monitoramento.

"Este é um apelo aos próprios sírios para que parem de brigar e se vigiem. Este não é o processo político ou a solução necessária para a crise síria", disse Brahimi.

O governo sírio cautelosamente saudou a proposta, mas disse que qualquer iniciativa deve ser respeitada por ambos os lados. A Turquia, fortemente crítica a Assad, e o Irã, um de seus mais fortes aliados, apoiaram o plano, em uma rara demonstração de acordo.

Brahimi se reunirá com o ministro das Relações Exteriores sírio, Walid al-Moualem, no sábado, disse um funcionário em Damasco.

O porta-voz de Brahimi, Ahmad Fawzi, disse que o enviado internacional, um veterano diplomata argelino, estava trabalhando em um novo plano de paz abrangente.

(Reportagem de Suleiman Al-Khalidi, em Amã, e de Oliver Holmes, em Beirute)

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