Enviado do papa reúne-se com Bush

Depois de um encontro de 40 minutos na Casa Branca com George W. Bush, o cardeal Pio Laghi disse não ter ouvido nada de novo do presidente dos Estados Unidos sobre a política norte-americana para o Iraque. "Parto com esperança, apesar do fato de que a situação esteja como está", disse Laghi. "Tenho de dizer isso, porque sou um padre."O emissário do papa João Paulo II afirmou que o Vaticano mantém sua posição de que um ataque preventivo contra o Iraque seria "imoral, a menos que seja apoiado pela ONU"."Seria ilegal e injusto", acrescentou."A Santa Sé sustenta que ainda existem vias pacíficas dentro do contexto do vasto patrimônio da lei internacional e instituições que existem para esse objetivo", considerou Laghi, ao ler um comunicado."Existe uma grande unidade sobre essa grave questão da parte da Santa Sé, os bispos nos Estados Unidos e a Igreja em todo o mundo", relatou.Laghi informou ter entregue a Bush uma carta do papa que termina dizendo: "Garanto a você, senhor presidente, que estou rezando por você e pelos Estados Unidos da América. Peço ao Senhor que o inspire na busca de meios para uma paz estável, o mais nobre esforço humano."Laghi acrescentou que não sabe se o papa planeja discursar pessoalmente nas Nações Unidas.Bush rejeita o argumento do Vaticano de que não existe justificativa moral para uma guerra preventiva com o Iraque.O encontro a portas fechadas com o cardeal ocorreu na Quarta-Feira de Cinzas, quando o papa pediu por esforços mundiais para evitar uma guerra no Iraque e exortou os cerca de 1 bilhão de católicos a promoverem um dia de jejum e orações pela paz.Laghi, um ex-embaixador do Vaticano nos EUA e amigo da família Bush, disse que iria transmitir aos norte-americanos a oposição do papa à guerra."Estou aqui numa missão de paz e não considero que a guerra seja inevitável", explicou Laghi ao diário italiano La Stampa, numa entrevista feita em Washington e publicada hoje. "Trata-se de uma tarefa muito complicada neste momento, e percebemos que o presidente está diante de decisões muito difíceis. Mas temos esperança."Porta-vozO porta-voz da Casa Branca, Ari Fleischer, disse que Bush respeita a opinião daqueles que discordam dele, mas que o presidente estava preparado para rebater os argumentos do enviado papal."O presidente saúda a oportunidade que tem para descrever suas razões do ponto de vista moral, do ponto de vista legal, sobre porque é importante desarmar Saddam Hussein e preservar a paz", afirmou.O papa tem dito que uma guerra contra o Iraque representaria "uma derrota para a humanidade" e que o conflito não teria justificativa moral nem legal. Ele prefere que o Iraque seja desarmado sem o emprego da força militar.Fleischer, por sua vez, disse que, na opinião de Bush, "o ato mais imoral seria Saddam Hussein transferir de alguma forma suas armas para terroristas que pudessem usá-las" contra os Estados Unidos. "Portanto, o presidente observa o uso da força como uma questão legal, moral e de proteção ao povo norte-americano."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.