Enviado do papa vai conversar com Saddam

O enviado especial do papa a Bagdá, cardeal Roger Etchegaray, confirmou hoje na capital iraquiana que se reunirá com o presidente Saddam Hussein. Foi o que declarou o prelado ao término de seu diálogo com o vice-presidente iraquiano, Taha Yassin Ramadan, e o vice-primeiro-ministro, Tarek Aziz. "Posso lhes assegurar que verei Saddam Hussein e lhe entregarei a mensagem do papa", disse Etchegaray, a quem o Vaticano tem confiado missões muito delicadas. No final de uma conversa de uma hora com o vice-presidente Ramadan e o vice-premier Aziz, o enviado pontifício demonstrou certo otimismo, destacando o clima de confiança recíproca entre a Santa Sé e o Iraque. "Uma conversação de uma hora é por si mesma um sinal do interesse que temos em escutar-nos reciprocamente e de nos entendermos e compararmos pontos de vista que, afinal, convergem em direção à paz e à justiça", disse o prelado. "Posso dizer-lhes - acrescentou Etchegaray - que constatamos a importância que se dá ao clima de confiança recíproca ". Além disso, o cardeal manifestou que "tudo o que o país pôde fazer para mostrar um desejo dinâmico de paz, promovido pelo Conselho de Segurança e a abertura aos inspetores, também é um bom sinal", ao referir-se à retomada das tarefas dos especialistas da ONU. Apesar das declarações cautelosamente otimistas do enviado de João Paulo II, a Santa Sé está consciente de que sua missão está sujeita a um alto risco de fracasso. Com efeito, afirma o Vaticano, ninguém está em condições de saber qual será a atitude de Saddam Hussein e até que ponto ele está disposto a negociar para pôr fim à crise. O Vaticano esclareceu que Etchegaray "não apresentará ao presidente iraquiano nenhuma proposta concreta". O objetivo da missão de Etchegaray, que dialogará com Saddam como representante pessoal do papa, é a de "ajudar as autoridades iraquianas a refletirem sobre seu dever de colaborar efetivamente com a comunidade internacional para assegurar a paz a seu povo". O emissário pontifício destacou em sua chegada que estava em Bagdá para "demonstrar o supremo interesse do papa em levar até o limite extremo as possibilidades a favor da paz", ameaçada no país. O Vaticano teme que uma guerra americana no Iraque agrave ainda mais as tensões no Ocidente e no mundo muçulmano, com conseqüências imprevisíveis.

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