Enviado dos EUA ao Egito evita tomar partido em transição

Subsecretário de Estado americano pede fim de prisões políticas; governo americano não fala em golpe militar no país

CAIRO, O Estado de S.Paulo

16 de julho de 2013 | 02h02

O subsecretário de Estado americano, William Burns, disse ontem que os EUA estão comprometidos a ajudar o Egito na "segunda oportunidade" de o país estabelecer um regime democrático. Ele admitiu que os EUA não apoiarão nenhum grupo político - a Casa Branca ainda não decidiu se considera a derrubada de Mohamed Morsi como um golpe de Estado ou não.

Por lei, isso obrigaria os EUA a suspender da ajuda ao país, de US$ 1,5 bilhão por ano. "Não tomamos partido", disse Burns. "Não vim aqui com soluções americanas, nem dar lição a ninguém. Não tentaremos impor nosso modelo ao Egito."

O número 2 do departamento de Estado se reuniu no Cairo com o presidente de facto, Adli Mansour, e o primeiro-ministro Hazem al-Beblaui. Durante o encontro, eles abordaram as medidas adotadas após o Exército depor Morsi. Também avaliaram o quadro regional e internacional, informou a agência estatal Mena. O diplomata, porém, alertou sobre a prisão de membros da Irmandade Muçulmana.

"Se os representantes de alguns dos maiores partidos egípcios estão presos ou excluídos do processo político, como o diálogo é possível?", questionou. O subsecretário pediu ainda aos militares egípcios que se mantenham afastados da vida política.

Protestos. Ativistas islâmicos mantêm uma vigília exigindo a reinstauração do mandato de Morsi. Tanto eles quanto os adversários laicos da Irmandade convocaram manifestações.

Ontem, a polícia disparou gás lacrimogêneo no centro do Cairo, quando manifestantes que pedem a volta de Morsi enfrentaram motoristas e pedestres irritados com o bloqueio das principais ruas. Houve 92 mortes nos dias seguintes ao golpe. / REUTERS e EFE

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