Enviado dos EUA ao Oriente Médio renuncia ao cargo

George Mitchell alegou motivos pessoais; processo de paz entre Israel e palestinos está parado.

Alessandra Corrêa, BBC

13 de maio de 2011 | 18h30

O enviado especial dos Estados Unidos para o Oriente Médio, George Mitchell, anunciou nesta sexta-feira sua renúncia, depois de dois anos no cargo.

Mitchell, um ex-senador de 77 anos que já havia atuado no processo de paz na Irlanda do Norte, assumiu como enviado ao Oriente Médio em 2009, indicado pelo presidente Barack Obama, e durante o período tentou intermediar o processo de paz entre israelenses e palestinos.

"Nos últimos dois anos e meio, George Mitchell trabalhou como um advogado incansável pela paz como enviado especial dos Estados Unidos para o Oriente Médio", disse Obama em um comunicado.

"Seu profundo comprometimento em resolver conflitos e avançar a democracia contribuiu incomensuravelmente para o objetivo de dois Estados vivendo lado a lado em paz e segurança."

Impasse

A última rodada de negociações foi interrompida no ano passado, em meio a um impasse entre os dois lados sobre a construção de novas casas em assentamentos israelenses no território palestino da Cisjordânia.

Os palestinos querem que Israel interrompa as novas construções, exigência recusada pelo governo israelense. O enviado americano não conseguiu avançar na resolução do impasse.

Mitchell disse que renuncia por motivos pessoais. Em sua carta de demissão, ele afirma que, quando aceitou o cargo, sua intenção era servir por dois anos, e mais de dois anos já se passaram.

O enviado americano deverá deixar o cargo oficialmente no próximo dia 20 e será substituído temporariamente por seu vice, David Hale.

Discurso

A renúncia de Mitchell foi anunciada às vésperas de um grande discurso a ser proferido por Obama, na próxima semana, sobre sua nova estratégia para o Oriente Médio.

A expectativa é a de que o presidente americano coloque em contexto a morte do líder da Al-Qaeda, Osama Bin Laden, em operação de forças especiais americanas no Paquistão, no dia 1º de maio.

Obama também deverá falar sobre a visão de sue governo a respeito das transformações nos diversos países árabes e muçulmanos que registram desde o fim do ano passado uma onda de protestos populares por democracia.

Ainda na próxima semana, Obama recebe na Casa Branca o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu.

O premiê israelense pretende pressionar o governo americano a boicotar qualquer governo palestino que inclua o grupo Hamas.

Na semana passada, o Hamas, que controla a Faixa de Gaza, e o Fatah, que detém o controle da Cisjordânia, assinaram um acordo de reconciliação, abrindo caminho para um governo conjunto e a realização eleições no próximo ano.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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