Enviado dos EUA para Oriente Médio renuncia

George Michell atuava havia 2 anos na mediação das negociações entre Israel e os palestinos, mas seu trabalho vinha sendo alvo de críticas

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

14 de maio de 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE / NOVA YORK

Sem conseguir um avanço no processo de paz entre israelenses e palestinos, o enviado especial dos EUA ao Oriente Médio, George Michell, pediu demissão ontem. O anúncio ocorre a uma semana da visita do premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, a Washington e de um discurso do presidente americano, Barack Obama, sobre o mundo árabe.

O emissário argumentou que havia se comprometido a permanecer apenas dois anos no posto e o prazo já foi concluído. "Apoio fortemente sua visão de paz para o Oriente Médio", afirmou em carta a Obama. Michell já foi senador e tornou-se conhecido pelo sucesso na mediação do conflito na Irlanda do Norte. O substituto será seu assistente David Hale.

Obama elogiou Mitchell por "seu profundo compromisso em tentar ajudar a resolver o conflito (árabe-israelense)". Segundo a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, "o governo sentirá a falta de sua liderança".

O trabalho de Mitchell, porém, vinha sendo ironizado havia algum tempo por quem acompanha o processo de paz no Oriente Médio. Nas entrevistas coletivas no Departamento de Estado, ele era alvo de piada dos repórteres. O New York Times classificou ontem os dois anos dele no cargo como "fúteis".

A maior parte do tempo, Mitchell tentou convencer Israel a concordar com o congelamento na construção de novas unidades habitacionais nos assentamentos já existentes na Cisjordânia. Os israelenses concordaram em interromper por dez meses. Mas apenas no último os palestinos aceitaram voltar para a mesa de negociações. Os líderes de ambos os lados chegaram a se reunir em setembro, mas, semanas depois, com o prazo da trégua na construção expirado, Israel retomou as obras.

Mitchell tentou convencer, sem sucesso, os israelenses a prorrogar o congelamento. Nas últimas semanas, porém, ocorreu mais um revés, com o acordo entre Fatah e Hamas, criticado por muitos no Congresso americano. Com os palestinos buscando alternativas unilaterais e o reconhecimento do Estado Palestino por vários países, como o Brasil, o papel de Michell acabou reduzido. Israel também ignorava seus apelos à retomada das negociações. A última vez que ele esteve na região foi em setembro.

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