Enviado dos EUA vem ao Brasil tratar de Irã e Honduras

A advertência da secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, sobre a aproximação dos países bolivarianos com o Irã, chegará nesta segunda-feira ao Planalto de maneira ainda mais contundente. Arturo Valenzuela, responsável pela América Latina e o Caribe do governo americano, desembarca na noite de hoje em Brasília para uma visita de menos de 24 horas.

AE, Agencia Estado

13 de dezembro de 2009 | 08h06

Valenzuela vem fazer lobby junto ao ministro da Defesa brasileiro, Nelson Jobim, em favor da Boeing na licitação para a compra dos novos caças da FAB (Força Aérea Brasileira), mas o ponto mais sensível dos encontros do diplomata é o que a Casa Branca considera um excesso do governo Luiz Inácio Lula da Silva na esfera internacional: a visita, no mês passado, do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad.

O enviado dos EUA vem atrás, também, de uma flexibilização da posição do Itamaraty em torno da crise em Honduras - o Brasil dá sinais de que pode reconhecer o governo eleito, de Porfírio "Pepe" Lobo, que toma posse no próximo mês, mas ainda insiste, pelo menos formalmente, na volta do presidente deposto Manuel Zelaya ao poder.

Depois da passagem rápida pelo Brasil, Valenzuela seguirá para Argentina, Paraguai e Uruguai. O período curto será suficiente para que as mensagens de Washington alcancem o assessor da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, o secretário-geral das Relações Exteriores e ex-embaixador nos EUA, Antônio Patriota.

Visita do Irã

A decisão do Brasil de receber Ahmadinejad estará no centro das conversas de Valenzuela. O governo brasileiro teve oportunidade de evitar o controvertido encontro quando o iraniano cancelou sua visita agendada para maio. Quando finalmente ele ocorreu, foi marcado pelas declarações de apoio do Brasil ao programa nuclear iraniano em um período sensível - depois que foi revelada a existência de uma usina clandestina de enriquecimento de urânio na cidade de Qom.

Além disso, Teerã recusa-se a aceitar uma proposta negociada com o Ocidente e a Agência Internacional de Energia Atômica para que o Irã enriquecesse urânio para a produção de energia em terceiros países - como Rússia e França.

A declaração de Lula de que os EUA e a Rússia não têm "autoridade moral" para exigir o fim do programa nuclear do Irã, feita ao lado da chanceler alemã, Angela Merkel, também foi registrada pelo Departamento de Estado. O encontro do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, com Ahmadinejad, no Irã, reforçou as preocupações de Washington com o esforço brasileiro de romper o isolamento que os EUA, com respaldo da China e da Rússia, conseguiram impor a Teerã. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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