Enviado iraniano anuncia acordo nuclear com a Rússia

O representante iraniano na Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Ali Asghar Soltanieh, afirmou, neste sábado, que o Irã alcançou um "acordo básico" com a Rússia para a formação de uma joint venture de enriquecimento de urânio em território russo, informou a TV estatal da república islâmica. "Falta resolver apenas questões relativas a assuntos técnicos, legais e financeiros, que precisam de mais análise e troca de pontos de vista", acrescentou Soltanieh, citado pela TV. O anúncio foi feito em Moscou, paralelamente a uma conferência sobre energia. O governo russo não deu informações sobre o acordo. Um entendimento similar havia sido anunciado em fevereiro, mas não chegou a ser detalhado. Não ficou claro se, com o acordo, o Irã desistirá completamente de enriquecer urânio em seu território, como exigem os EUA, ou se a joint venture será um complemento para as atividades de enriquecimento em andamento na república islâmica. O governo iraniano tem prometido nunca abrir mão de seu direito, sob o Tratado de Não-Proliferação Nuclear, de enriquecer urânio e produzir combustível nuclear para gerar energia. Mas os EUA acusam o regime islâmico de pretender produzir armas atômicas. O Irã nega. O Conselho de Segurança da ONU aguarda para o dia 28 um relatório da AIEA sobre o programa nuclear iraniano. Os EUA pressionam pela adoção de sanções se o Irã não suspender, até essa data, o enriquecimento de urânio. Mas o Irã, que anunciou no início do mês ter enriquecido urânio pela primeira vez usando 164 centrífugas - um passo para a produção em larga escala -, rejeita essa exigência. A Rússia, que tem poder de veto no Conselho de Segurança, insiste que a ONU só pode estudar a adoção de sanções ao Irã se houver prova de que a república islâmica está tentando produzir armas atômicas. Apesar da disputa com o Ocidente em torno de seu programa nuclear e da ameaça de sanções, o Irã não reduzirá suas exportações petrolíferas, anunciou ontem o ministro do Petróleo, Kazem Vaziri. "Acreditamos fortemente que não há motivo para sanções, mas, em qualquer caso, não cortaremos nossas exportações", afirmou. O preço do barril de petróleo tem subido para níveis recordes, passando de US$ 75, em parte por causa do temor de que os embarques do Irã - o quarto maior exportador - possam ser suspensos. Em Doha, o ministro paquistanês do Petróleo, Amanullah Khan Jadoon, afirmou que Irã, Índia e Paquistão estão próximos de assinar um acordo para a construção de um gasoduto, apesar da oposição dos EUA. O gasoduto, de US$ 7 bilhões, ligaria a grande reserva de gás iraniana - a segunda maior do mundo - à Índia.

Agencia Estado,

22 Abril 2006 | 13h22

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