Enviado norte-americano parte e Israel lança novas represálias

Israel deteve dezenas de supostos militantes palestinos na Cisjordânia nesta sexta-feira, na mais ampla operação de busca em quase 15 meses de combate, alegando ser "necessário agir nas áreas em que Arafat falhou". Oito palestinos foram mortos em choques com soldados israelenses.Na Faixa de Gaza, aviões de combate israelenses lançaram duas bombas contra um complexo de segurança palestino no terceiro dia consecutivo de ataques aéreos. Sete palestinos ficaram feridos. Israel justificou a ofensiva como retaliação a ataques de morteiro promovidos por palestinos.O enviado especial dos Estados Unidos à região, Anthony Zinni, que tentou, mas não conseguiu negociar uma trégua nas últimas três semanas, partiu nesta sexta-feira rumo à Jordânia e ao Egito e deve, em seguida, retornar a Washington.Bush culpa ArafatO presidente dos EUA, George W. Bush, disse que o trabalho de Zinni foi dificultado pela relutância do líder palestino Yasser Arafat em prender "assassinos e pessoas que tiravam dos trilhos o processo de paz".A missão de Zinni foi acompanhada do aumento dos ataques de militantes islâmicos contra israelenses e pelas represálias do Exército judeu. Desde a chegada de Zinni ao Oriente Médio, 63 palestinos e 44 israelenses perderam a vida em atentados e confrontos.A violência também abalou a coalizão de centro-direita que governa Israel. O ministro israelense das Relações Exteriores, Shimon Peres, qualificou de erro o rompimento com Arafat. No entanto, Peres garantiu em entrevista publicada, nesta sexta, que não abandonará a coalizão.?Visão míope?Peres, que negociou o acordo de paz interino com Arafat, contou ter dito a Sharon que a decisão de afastar a Autoridade Palestina era uma visão "míope" da situação."Perguntei a ele (Sharon): ´Suponhamos que Arafat desapareça. O que aconteceria então?", relatou ele ao jornal Yediot Ahronot. "Se expulsarmos Arafat, teremos problemas com todo o mundo árabe. Egito e Jordânia voltariam a cortar relações conosco."Peres também afirmou que os ataques aéreos de Israel contra os palestinos o deixaram "abalado", mas disse estar pronto para admitir seu erro, se as represálias forem capazes de conter os ataques de militantes palestinos contra israelenses.Operação de busca e prisãoEm episódios de violência ocorridos nesta sexta-feira, soldados israelenses realizaram buscas em quatro cidades e vilarejos cisjordanianos. Oito palestinos morreram em tiroteios, duas casas foram demolidas e cerca de 50 supostos militantes foram detidos.O Exército israelense informou que alguns dos detidos eram suspeitos de envolvimento em atentados recentes. De acordo com um comandante militar, esta foi a maior operação de busca e prisão em quase 15 meses de confrontos.Em diversas ocasiões, Israel exigiu de Arafat que detivesse os militantes. Arieh Mekel, porta-voz do governo israelense, disse que o Estado judeu não mais esperaria o líder palestino fazer o trabalho. "Não estamos mais pedindo a Arafat que faça alguma coisa. Nós mesmos estamos fazendo."A maior operação desta sexta foi realizada no vilarejo palestino autônomo de Salfit, onde tropas israelenses assassinaram seis policiais palestinos.Motoniveladoras do Exército também destruíram duas casas no local. Após a ação, tanques israelenses partiram de Salfit em um comboio e soldados transportados por veículos blindados faziam sinais de vitória.Em Hebron, na Cisjordânia, soldados israelenses mataram dois palestinos e deixaram um ferido durante um tiroteio, informou o Exército. De acordo com fontes militares, os soldados identificaram e perseguiram quatro palestinos armados, abriram fogo e mataram dois.RepresáliaA mais recente onda de represálias israelenses foi desencadeada por um ataque à bomba e a tiros contra um ônibus que transportava colonos judeus na quarta-feira. O grupo Hamas assumiu a autoria do atentado. Dez israelenses morreram, e 30 ficaram feridos no ataque.Em retaliação, aviões de guerra e helicópteros artilhados de Israel bombardearam delegacias e instalações de segurança da Autoridade Palestina durante três noites consecutivas.A decisão israelense de cortar relações com Arafat foi tomada nas primeiras horas desta quinta-feira, em resposta ao ataque contra o ônibus. O Gabinete de Segurança de Israel declarou que Arafat era "irrelevante para Israel?, e que Israel ?não mais teria relações com ele".Nabil Abu Rdeneh, assessor de Arafat, acusou Israel de sabotar os esforços internacionais de paz. "Esta é uma guerra contra o povo palestino, sua liderança eleita e o processo de paz", afirmou.

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