Enviados de EUA e Coreia do Norte visitam Pequim para diálogo

Negociações sobre desnuclearização do país asiático estão paradas desde maio do ano passado

23 de fevereiro de 2010 | 09h50

Um funcionário de alto escalão da Coreia do Norte está de visita a Pequim às vésperas de uma passagem pela capital chinesa do embaixador americano para a crise nuclear entre Pyongyang e as grandes potências, informou nesta terça-feira, 23, o Ministério de Assuntos Exteriores do país asiático.

 

Os dois enviados são o norte-coreano Kim Yong-il, responsável de relações internacionais do Comitê Central do Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte, e do representante especial americano para a Coreia do Norte, Stephen Bosworth, que chega a Pequim na quarta-feira.

 

"Não posso assegurar que os representantes desses dois países vão se reunir em breve", disse em entrevista coletiva o porta-voz chinês Qin Gang. Ele acrescentou que a China promove esse tipo de encontros, assim como os multilaterais, a fim de retomar o mais rápido possível ao diálogo multilateral.

 

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Kim se reuniu com seu colega chinês, Wang Jiarui, responsável do Departamento Internacional do Partido Comunista da China (PCCh), depois que Jiarui viajou para Pyongyang há duas semanas com o objetivo de recuperar o diálogo entre as duas Coreias, EUA, Rússia, Japão e China, estagnado desde 2008. Durante o encontro, Wang e Kim conversaram sobre a relação entre os dois partidos comunistas e a paz e a estabilidade regional, em alusão à crise nuclear desencadeada por Pyongyang.

 

Da mesma forma que fez Wang este mês, que se reuniu com o líder máximo norte-coreano, Kim Jong-il, o representante desse país terá também um encontro em Pequim com o presidente da China, Hu Jintao, nesta mesma tarde.

 

Bosworth, por sua vez, visitará Pequim amanhã, como parte de sua viagem pela China, Japão e Coreia do Sul para desbloquear o processo de desnuclearização da Coreia do Norte. Ele terá um encontro com seu colega chinês no diálogo entre os seis países, Wu Dawei, para discutir sobre as negociações, paralisadas desde dezembro de 2008, poucos meses antes de Pyongyang realizar seu segundo teste nuclear e realizar um lançamento de foguetes.

 

A ONU impôs como consequência sanções ao regime de Kim Jong-il. O líder norte-coreano exige que elas sejam retiradas e que se estabeleça um tratado de paz em substituição ao armistício que pôs fim à Guerra da Coreia (1950-1953) como condições para retornar à mesa de negociações.

 

Também está a caminho a Pequim, onde permanecerá dois dias, o negociador sul-coreano para o diálogo a seis, Wi Sung-lac. Ele afirmou hoje que seu Governo está disposto a colocar o tratado de paz uma vez que a Coreia do Norte avança em seu desarmamento nuclear, informou a agência sul-coreana Yonhap.

 

Essa atividade diplomática coincide com a viagem, no início do mês, do subsecretário-geral para Assuntos Políticos da ONU, Lynn Pascoe, à Coreia do Norte, para tratar do tema da ajuda humanitária ao país. Pascoe retornou com uma mensagem de disposição de Pyongyang para retornar à mesa de diálogo.

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