Enviados do Dalai Lama chegam à China para negociações

Enviados do Dalai Lamachegaram à China na segunda-feira para se encontrar com ogoverno e discutir a questão do Tibete, informou o governotibetano no exílio, em meio às pressões para que a China seabra ao diálogo às vésperas da Olimpíada. As negociações, marcadas para os dias 1o e 2 de julho emPequim, têm o objetivo de remendar os rachas com o Dalai Lama,exilado em 1959 depois de uma revolta fracassada contra ocomando chinês no Tibete. "A Sua Santidade, o Dalai Lama, instruiu seus enviados afazer qualquer esforço para obter progressos tangíveis ealiviar a difícil situação dos tibetanos que vivem em suaterra", informou um comunicado do governo no exílio, sediado emDharamsala, no norte da Índia. A chegada dos enviados do Dalai Lama coincide com a visitada secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, àChina. Ela pressionou o ministro das Relações Exterioreschinês, Yang Jiechi, a avançar nas questões do Tibete e dosdireitos humanos, dizendo que os norte-americanos se preocupammuito com esses assuntos. O encontro acontece cerca de um mês antes dos JogosOlímpicos em Pequim e em meio à grande preocupação do governochinês acerca de sua imagem entre a comunidade internacional. "É uma clara tentativa da China de garantir que a violênciaocorrida no começo do ano não aconteça novamente durante aOlimpíada", disse Alka Acharya, que coordena estudos sobre oLeste da Ásia na Universidade de Jawaharlal Nehru, em NovaDélhi. É a segunda vez que enviados do Dalai Lama se encontram comautoridades do governo chinês desde as revoltas e protestoscontra o comando chinês no Tibete neste ano, o que levou aprotestos internacionais que pressionam a China a dialogar como líder espiritual exilado. Desde então, o Tibete tornou-se motivo de protestos queinterromperam o revezamento da tocha olímpica pelo mundo. Houvepedidos para que chefes de Estado boicotassem a cerimônia deabertura da Olimpíada, em 8 de agosto. As autoridades chinesas se encontraram com osrepresentantes do Dalai Lama no dia 4 de maio, mas o segundoencontro, que devia acontecer em junho, foi adiado devido aoterremoto que atingiu a China em maio, matando cerca de 70 milpessoas. O Dalai Lama diz querer autonomia para a região. Pequimcondena a atitude "separatista". A China culpa o Dalai Lamapelas revoltas em março.

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