Stephen Crowley/The New York Times
Stephen Crowley/The New York Times

Envio de armas à Ucrânia ainda está entre opções para crise, diz Obama

Caso a busca de uma saída diplomática para a crise ucraniana fracasse nesta semana, os EUA avaliarão enviar armamentos de defesa para o governo de Kiev, disse ontem o presidente americano, Barack Obama, depois de se reunir em Washington com a chanceler alemã, Angela Merkel, contrária à ideia. A líder reconheceu, no entanto, que a diplomacia pode falhar.

CLÁUDIA TREVISAN, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

10 de fevereiro de 2015 | 02h02

Apesar de reconhecer divergências "táticas" para enfrentar a Rússia, os líderes reforçaram a unidade entre a Europa e os Estados Unidos no tratamento do conflito e disseram que qualquer posição será negociada pelos dois lados do Atlântico Norte. "Não importa o que seja decidido, a aliança entre os Estados Unidos e a Europa se manterá e continuará sólida, mesmo que não concordemos em certas questões", observou Merkel, para quem o envio de armas pode agravar o conflito.

"Se, de fato, a diplomacia falhar, o que eu pedi a minha equipe é que analise todas as opções, que outros mecanismos nós podemos adotar para mudar o cálculo do sr. (Vladimir) Putin - e a possibilidade de armas letais de defesa é uma das opções examinadas. Mas ainda não tomei uma decisão", declarou Obama.

A seu lado, Merkel afirmou que o respeito ao princípio da integridade territorial é fundamental para a manutenção da coexistência pacífica conquistada pela Europa. "Esse não é apenas um ponto antigo, é um ponto essencial, crucial e temos de defendê-lo. A Rússia violou a integridade territorial da Ucrânia em dois aspectos: na Crimeia e também em Donetsk e Luhansk", disse Merkel, referindo-se à região anexada por Moscou e ao apoio de Putin a separatistas que operam no leste.

Principal interlocutora de Putin na Europa, Merkel defendeu novas tentativas de solucionar a crise por caminhos democráticos. Amanhã, ela voltará se reunir com Putin, o presidente da França, François Hollande, e líderes ucranianos, em Minsk, na Bielo-Rússia. Segundo ela, existe a possibilidade de um acordo de cessar-fogo que evite mortes de civis. Desde o início do conflito, em abril, cerca de 5,3 mil pessoas já morreram.

"Não há garantia de sucesso nisso tudo, eu tenho de ser muito clara a esse respeito", ressaltou. Se a tentativa de acordo falhar, Merkel disse que a Europa e os Estados Unidos discutirão os passos seguintes e deixou claro que considera a adoção de sanções adicionais o caminho mais efetivo.

Obama está sendo pressionado por parlamentares republicanos a armar o governo ucraniano. Entre os principais defensores da medida está o seu adversário nas eleições de 2008, o senador John McCain.

"Se ajudarmos os ucranianos a aumentar o custo militar para as forças russas que invadiram o país, por quanto tempo Putin poderá sustentar uma guerra que ele diz para seu povo que não está acontecendo?", perguntou McCain no domingo.

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