Envio de monitores à Síria é iminente, diz ONU

Conselho de Segurança aprovou por unanimidade a missão de 30 observadores; violência continua em partes do país.

BBC Brasil, BBC

14 de abril de 2012 | 19h37

O Conselho de Segurança da ONU aprovou uma resolução autorizando o envio de uma equipe de monitores para observar o cessar-fogo na Síria.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, disse que a equipe de 30 observadores desarmados, que estava a postos, deverá viajar ao país assim que possível.

A votação acontece no momento em que, segundo um correspondente da BBC, o cessar-fogo parece estar à beira do colapso em algumas partes da Síria.

Ativistas dizem que a violência na cidade de Homs, um dos principais redutos da resistência, deixou diversos mortos.

A embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Susan Rice, condenou o derramamento de sangue dizendo que ele levanta "novas dúvidas sobre a sinceridade do comprometimento do regime (sírio) com o cessar-fogo".

Mas o embaixador da Síria na ONU, Bashar Ja'afari, culpou as forças da oposição pelo aumento da violência, dizendo que mais de 50 violações do acordo de paz aconteceram, incluindo "muitos assassinatos e operações de sabotagem".

O Conselho Nacional Sírio, principal grupo de oposição da Síria, comemorou a aprovação da resolução.

Erupção de violência

A resolução foi aprovada por unanimidade no Conselho de Segurança depois que a Rússia aprovou o texto revisado, que autorizava, a princípio, o envio de uma equipe de 30 pessoas.

Diplomatas revisaram um rascunho proposto pelos Estados Unidos para incluir as objeções da Rússia à proposta inicial, feita pelos Estados Unidos.

O embaixador russo disse que Moscou apoiou a resolução por causa da necessidade do envio rápido de observadores.

Após a votação, Ban Ki-Moon disse que faria firmes propostas até a próxima quarta-feira para que o Conselho aprove o aumento da equipe para 250 pessoas.

Ele afirmou que a ONU precisará de completa liberdade de movimentação para monitorar efetivamente a situação na Síria.

O correspondente da BBC no Líbano Jim Muir, que está observando os eventos na Síria, diz que em algumas partes do país o cessar-fogo parece que irá fracassar a não ser que alguma ação seja tomada forçar sua manutenção.

Nesse sábado houve um aumento da violência, com ativistas afirmando que pelo menos 20 pessoas foram mortas em diversos incidentes no país.

Um vídeo feito por ativistas, que não pode ser verificado independentemente, parece mostrar a destruição causada por novos bombardeiros em Homs.

Em Aleppo, no norte do país, relatos falam se um tiroteio que deixou mortos e feridos no funeral de um manifestante. Ativistas dizem que as forças de segurança abriram fogo contra o cortejo, mas a televisão estatal acusa os rebeldes de atirarem "aleatoriamente".

Em Genebra, o secretário-geral da ONU disse que cerca de um milhão de pessoas foram deslocadas dentro da Síria nos últimos 13 meses e que muitas outras foram forçadas a ir para países vizinhos.

Papel da Rússia

O plano de paz e a equipe de monitoramento proposta pelo enviado da ONU e da Liga Árabe à Síria, Kofi Annan, pretende pôr fim a mais de um ano de violência no país, que deixou 9 mil mortos, a maioria civis.

O texto da resolução responsabiliza o governo sírio pelo compromisso com o cessar-fogo e expressa a intenção de estabelecer uma missão completa da ONU no país quando o fim da violência for implementado.

É a primeira vez em que os membros do Conselho de Segurança conseguiram vencer suas diferenças e aprovar uma resolução sobre a Síria, o que significa uma derrota diplomática para Damasco, segundo a correspondente da BBC na ONU, Barbara Plett.

Analistas dizem que a Rússia teve um papel-chave ao persuadir o presidente Bashar Al-Assad a aceitar o plano de Annan e o cessar-fogo. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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