Envio de soldados dos EUA à Colômbia gera controvérsia

Em meio a uma grande controvérsia, a Comissão de Relações Exteriores do Senado colombiano iniciará nesta semana consultas sobre a chegada prevista de um grupo de militares dos EUA para ajudar no resgate de três americanos seqüestrados pela guerrilha. "Se eles vêm para participar de operações ofensivas, a Constituição exige a autorização do Senado; mas, se vêm para prestar assistência técnica, isto está contemplado nos tratados bilaterais e não é preciso autorização", explicou o vice-presidente da Comissão, Jimmy Chamorro."Vamos iniciar consultas para saber se deve ser convocada uma sessão extraordinária da Comissão, com a presença das ministras de Relações Exteriores e da Defesa", explicou em uma entrevista à Associated Press. Acrescentou que primeiro é preciso determinar qual o objetivo do envio dos militares americanos à Colômbia, para depois determinar se será necessário submeter a iniciativa ao controle constitucional e político. Até o início desta tarde o presidente Alvaro Uribe não se havia pronunciado sobre as condições em que viriam os militares dos EUA. O Pentágono anunciou no fim de semana que o presidente George W. Bush ordenou o deslocamento de soldados para a Colômbia, para ajudar no resgate de três americanos que estão em poder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) desde 13 de fevereiro, segundo reconheceu a própria guerilha em um comunicado.O Plano Colômbia contempla a presença de até 400 militares dos EUA no país sul-americano, sob a condição de eles não participarem de ações ofensivas e apenas responderem ao fogo adversário, em defesa própria. "A Colômbia necessita de solidariedade internacional na luta contra o terrorismo e ela é bem-vinda, quer provenha dos EUA, da Alemanha, da Espanha ou de qualquer outro país, para derrotar a guerrilha mais podeerosa e inescrupulosa do mundo", disse o presidente da Comissão de Relações Exteriores, o senador governista Enrique Gómez Hurtado. Para o dirigente opositor Antonio Navarro Wolff, no entanto, a presença na Colôbia de tropas dos EUA pode ser o começo de um novo Vietnã. "Assim começou no Vietnã, com o envio de pequenos grupos, mas em seguida (os soldados) começaram a chegar em grande escala", disse Navarro.Acrescentou que mesmo que os soldados não venham a combater, mas participem como assessores nas tarefas de busca dos agentes seqüestrados, correm iguais riscos de morrer ou serem feridos pela guerrilha. "Se algo lhes acontece... Quantos mais vão ser mandados para apoiá-los?", indagou Navarro. Indicou também que os soldados dos EUA acrescentarão pouco ao esforço colombiano. "Sua formação e treinamento não lhes permite serem eficientes no ambiente colombiano. Aqui, as tropas colombianas são as melhores, porque o mais importante não é a técnica", advertiu Navarro, que foi combatente guerrilheiro do desaparecido Movimento 19 de Abril (M-19). Enquanto prossegue a controvérsia no Congresso sobre a presença de tropas americanas, uma pesquisa realizada nesta segunda-feira pela rádio RCN entre 1.012 pessoas mostrou que 68% dos colombianos aprovam a iniciativa do governo dos EUA. Ao mesmo tempo, a agência de notícias do Exército informou hoje que pelo menos 7 insurgentes morreram e 19 foram capturados durante operações militares realizadas no fim de semana, em diferentes pontos do país. Entre os mortos, estão três guerrilheiros das Farc, alvejados durante as operações de busca aos três americanos seqüestrados. Seus cadáveres foram encontrados no domingo, em uma zona rural perto da cidade de Florencia, 380 km a sudoeste de Bogotá - onde centenas de soldados colombianos, apoiados por helicópteros, buscam os reféns. Outros 4 guerrilheiros das Farc e do Exército de Libertação Nacional (ELN) foram mortos e mais 19 detidos em operações nos departamentos (Estados) de Antioquia, Caquetá, Caldas, Chocó, Santander e Meta, disse a agência oficial, em um comunicado.

Agencia Estado,

24 de fevereiro de 2003 | 15h39

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