Envio de tropas ao Afeganistão divide a Alemanha

Os planos da Alemanha de oferecer 3.900 soldados para a guerra contra o terrorismo enfrentaram resistência hoje na coalizão governista do primeiro-ministro Gerhard Schroeder, mas líderes de seu partido se mostraram confiantes de conseguir a aprovação do parlamento. Uma pesquisa publicada hoje mostrou que os alemães estão divididos sobre a questão, com 51% deles a favor da contribuição de tropas e 46% contra. Parlamentares expressaram desconforto ou hostilidade aberta em relação ao que seria a maior mobilização militar da Alemanha desde a Segunda Guerra Mundial. A oferta feita por Schroeder na terça-feira, em resposta a um pedido dos EUA por apoio militar, inclui forças especiais, navios, uma unidade de evacuação médica e veículos blindados equipados para detectar armas nucleares, químicas e biológicas. Não foi requisitada a participação de tropas terrestres ou de aviões na guerra no Afeganistão, disse. Schroeder irá à Câmara baixa do Parlamento nesta quinta-feira para explicar porque quer que a Alemanha dê um passo que ainda levanta controvérsia numa nação que tem evitado engajamentos militares depois da Segunda Guerra Mundial. O Parlamento deve votar sobre o uso das tropas na próxima semana. Schroeder, que lidera o governista Partido Social Democrata, e líderes dos Verdes, o parceiro menor na coalizão, já estão pressionando parlamentares esquerdistas indecisos para apoiarem a decisão do governo. A proposta governamental permitiria que os militares alemães operem na "península Arábica, Ásia Central e nordeste da África assim como em mares adjacentes". Winfried Nachtwei disse que ele e sete outros parlamentares Verdes se opõem ao envio de tropas porque não está clara a estratégia dos EUA no Afeganistão. "Neste momento, não temos como saber se não estaríamos entrando numa aventura", afirmou. Michael Mueller, um destacado parlamentar do partido de Schroeder, disse que existe uma grande preocupação em relação à ampla autorização para a ação militar da Alemanha. "O temor entre muitos parlamentares é que essa mobilização militar seja o primeiro passo, e que então continuaremos passo a passo", afirmou ao jornal Bild. Mas um líder parlamentar social-democrata que apóia a iniciativa de Schroeder afirmou esperar que a coalizão, que tem uma maioria de 16 cadeiras na Câmara baixa de 666 assentos, irá ficar ao lado do chanceler. "Espero uma vitória", disse Gernot Erler. Schroeder também pode contar com o apoio da oposição conservadora, apesar de os líderes sugerirem que o parlamento deve limitar a ação militar alemã a seis meses, contra o um ano pedido pelo Schroeder. Leia o especial

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