Envio de tropas ao Líbano gera embate retórico entre Síria e Israel

Síria e Israel intensificaram uma disputa retórica acerca do envio de forças de paz para o sul do Líbano nesta quarta-feira, com a ministra de Exteriores israelense classificando a situação no país vizinho como "explosiva" e o presidente sírio considerando uma eventual presença de tropas internacionais na fronteira sírio-libanesa como um ato "hostil".A escalada de declarações acontece no 10º dia de cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah, data marcada pela morte de três soldados libaneses e um israelense. Os primeiros morreram ao tentar desarmar um míssil israelense que não explodiu, enquanto o segundo foi pego por uma mina. Também nesta quarta-feira, o primeiro-ministro libanês, Fuad Saniora, pediu ajuda dos Estados Unidos para que Israel suspenda seu bloqueio aéreo e marítimo contra o país. Segundo o premier, seu país tem feito "todos os esforços" para garantir a segurança das fronteiras.Ainda assim, a ministra de Exteriores israelense, Tzipi Livni, não demonstrou otimismo diante da situação no país vizinho. "O tempo está trabalhando contra aqueles que gostariam de ver essa resolução aplicada", disse Livni após um reunião com seu homólogo francês, Phillipe Douste-Blazy. "Estamos agora numa posição sensível e explosiva.""Por isso, precisamos de uma ação extremamente rápida da comunidade internacional", completou.Na terça-feira, o governo israelense havia anunciado que o bloqueio aéreo e marítimo no Líbano continuaria até que forças de paz fossem enviadas para a fronteira sírio-libanesa para impedir que armamentos vindos da Síria reabastecessem a guerrilha do Hezbollah.No entanto, a exigência israelense não agrada a Síria, cujo presidente, Bashar Assad, disse em pronunciamento transmitido por uma rede de TV árabe que irá considerar a presença de tropas na fronteira sírio-libanesa como um ato "hostil" contra seu país."Primeiro, isso representaria a criação de condições hostis entre a Síria e o Líbano", disse Assad à Dubai TV, de acordo com trechos da entrevista divulgados pela emissora."Em segundo lugar, existe uma mobilização hostil contra a Síria e isso naturalmente resultará em problemas", prosseguiu Assad.Nas declarações, Assad não especificou como reagiria ao envio de tropas para a região. Mas, após uma reunião com seu homólogo sírio, o ministro do Exterior finlandês, Erkki Tuomioja, disse que Damasco ameaçou fechar as fronteiras com o Líbano caso as forças da ONU ocupem posições próximas à fronteira. "O fechamento das fronteiras certamente traria conseqüências negativas para as pessoas que vivem na região", disse Tuomioja.Violência esporádicaAs postura do governo israelense diante da manutenção do bloqueio parece ser uma tentativa de pressionar a comunidade internacional para o início do envio das tropas de paz para a região. O cessar-fogo aceito por Israel e pelo Hezbollah no último dia 11 exige o posicionamento de 15 mil soldados da ONU no sul do Líbano, mas até o momento nenhum contingente foi enviado. Em grande parte, porque os países europeus não querem se comprometer até que um mandato claro para a missão de paz seja estabelecido pela ONU.Paralelamente ao impasse internacional, ondas de violência esporádica tem marcado o cessar-fogo posto em prática no último dia 14. Nesta quarta-feira, por exemplo, a trégua foi testada quando a artilharia israelense atirou contra uma região de fronteira disputada pelo Líbano, Israel e Síria, em resposta a um ataque vindo do Líbano. Mas, segundo autoridades e militares libaneses, não houve disparos nem do Hezbollah e nem do Exército libanês na região.

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