AFP PHOTO / MARVIN RECINOS
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Chefe da OEA pede a Maduro que honre Chávez aceitando referendo

Envolvido em uma ácida disputa verbal com Maduro, Almagro pede a presidente que "não bloqueie" as tentativas da oposição

O Estado de S. Paulo

26 Julho 2016 | 17h38

WASHINGTON  - O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, pediu nesta terça-feira, 26, ao presidente Nicolás Maduro que honre o legado do falecido líder venezuelano Hugo Chávez, aceitando se submeter a um referendo revogatório.

Almagro, envolvido em uma ácida disputa verbal com Maduro, pediu ao presidente que "não bloqueie" as tentativas da oposição de realizar a consulta, segundo entrevista à emissora Globovisión, difundida nesta segunda-feira.

Impedir o referendo "seria deslegitimar um legado importantíssimo do chavismo. Chávez sempre se expôs às decisões do povo, recorrentemente", destacou, em Washington, o titular da Organização de Estados Americanos (OEA). Chávez (1999-2013) saiu fortalecido de um referendo revogatório realizado em 2004.

Dirigindo-se ao presidente venezuelano, Almagro destacou que seria um demérito para o chavismo se a consulta fosse detida, esclarecendo que não toma partido pela permanência ou não de Maduro no poder até 2019, quando termina o seu mandato.

"Não faça isto com o chavismo, o chavismo não merece, o legado de Chávez não merece, o legado de Chávez merece que o presidente Maduro faça um revogatório, merece que se exponha ao escrutínio do povo", acrescentou.

A oposição espera que o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) certifique nesta terça-feira ter coletado as 200.000 assinaturas necessárias para ativar o referendo, em meio a suspeitas de que o organismo poderia protelar o processo entre suas instâncias e o governo.

Se a consulta for ativada, a coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) terá que reunir outras quatro milhões de rubricas para que o CNE convoque as urnas.

Almagro disse em outras ocasiões que Maduro - confrontado com uma profunda crise econômica - entraria na galeria dos "ditadorzinhos" latino-americanos se evitar a vontade popular./ AFP

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