Orlando Barría/EFE
Orlando Barría/EFE

Epicentro de terremoto no Haiti tem escassez de médicos

Autoridades tentam melhorar resposta ao tremor, em meio a traumas de abalo que devastou país no passado

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de agosto de 2021 | 05h00

LES CAYERS, Haiti - Com ossos quebrados e sangramentos, os feridos congestionaram os hospitais ou rumaram para o aeroporto, em busca de compaixão e voos para fora de Les Cayers. Uns poucos médicos trabalharam a noite inteira em alas de triagem improvisadas. Um senador aposentado usou seu aviãozinho de sete lugares para transportar pacientes mais graves para atendimento de emergência na capital, Porto Príncipe.

Um dia depois do terremoto de magnitude 7,2 que matou pelo menos 1,4 mil pessoas e deixou milhares de feridos no oeste do Haiti, o principal aeroporto da cidade ficou lotado no domingo com pessoas tentando mandar parentes para Porto Príncipe.

Não havia muita escolha. Com poucas dezenas de médicos disponíveis numa região que abriga um milhão de habitantes, as consequências do terremoto tornaram-se crescentemente desastrosas.

“Sou o único cirurgião aqui”, afirmou Edward Destine, cirurgião ortopédico, enquanto se encaminhava para uma sala de cirurgia temporária improvisada com chapas de metal, nas proximidades do Aeroporto de Les Cayes. “Eu gostaria de poder operar dez pacientes hoje, mas simplesmente não tenho recursos”, afirmou ele, citando a necessidade urgente de acessos intravenosos e até de antibióticos básicos.

Esse terremoto foi a mais recente calamidade a revirar o Haiti, que ainda convive com as consequências do terremoto de 2010, que deixou estimados 250 mil mortos. O tremor do sábado ocorreu cerca de cinco semanas após o presidente haitiano, Jovenel Moïse, ter sido assassinado, deixando um vácuo de poder em um país que já enfrenta grave miséria e violência desenfreada de gangues.

As autoridades do Haiti se apressaram para coordenar a resposta ao terremoto, cientes da confusão que se seguiu ao tremor de 2010, quando atrasos na distribuição de ajuda a centenas de milhares de pessoas aumentaram o número de mortos.

Autoridades de Les Cayes estimaram que somente 30 médicos atendem toda a região oeste do país. Eles confrontam agora o prospecto arrebatador de tratar milhares de ferimentos graves provocados por desabamentos.

Todos os principais hospitais foram danificados; médicos trabalharam toda a noite para erguer uma sala de cirurgia temporária próximo ao aeroporto de Les Cayes, porque os hospitais locais ficaram em péssima condição.

No Hospital Geral de Les Cayes, dois cirurgiões operaram oito pessoas com insumos escassos no domingo, mas foram forçados a recusar a maioria dos pacientes.

Após as cirurgias, as vítimas foram levadas em seus leitos com rodas para um estacionamento transformado em enfermaria, onde foram deixadas sob o escaldante sol caribenho.

O cirurgião James Pierre, tinha acabado de operar uma menina de 5 anos com trauma abdominal, que havia sido esmagada por uma parede de sua casa enquanto brincava no jardim.

“Só conseguimos fazer cirurgias simples aqui, não temos com que trabalhar”, afirmou Pierre, enquanto olhava para o tórax da menina se esforçando a cada respiração, sob um cobertor e a céu aberto. / NYT, TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

Tudo o que sabemos sobre:
Haiti [América Central]médico

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.