Epidemia de cólera está sob controle, diz Mugabe

O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, assegurou hoje que a epidemia de cólera no país está sob controle e rechaçou os pedidos para que deixe o poder, o qual ocupa desde 1980. No entanto, o número de vítimas da doença cresceu bastante nos últimos dias neste país localizado no sul da África. De acordo com novos números divulgados hoje pela Organização das Nações Unidas (ONU), 783 pessoas já morreram no país desde o início da epidemia em agosto. Ao todo, 16.403 casos da doença foram diagnosticados no período.Mugabe repetiu hoje que as acusações do Ocidente em relação ao cólera são apenas uma desculpa para retirá-lo do poder. O cólera se alastrou rapidamente pelo Zimbábue em meio à precariedade do sistema de saúde e dos serviços de saneamento básico. Na semana passada, o país declarou estado de emergência sanitária.O país vive no momento um persistente impasse político. Mugabe e o líderoposicionista Morgan Tsvangirai buscam há meses, mas sem sucesso, um acordo de partilha de poder.Hoje, durante o funeral de um funcionário do partido governista, Mugabe insistiu que a epidemia está sob controle graças à ajuda da Organização Mundial de Saúde (OMS) e de outras entidades. "Agora que não há cólera, não há necessidade de guerra", disse ele. "Precisamos de médicos, não de soldados", concluiu.África do Sul - Autoridades sul-africanas declararam hoje a fronteira com o Zimbábue uma área de desastre devido à epidemia de cólera. O governo provincial de Limpopo disse que pelo menos 664 pessoas com a doença foram tratadas e funcionários do setor de saúde têm dificuldade para controlar a situação. Oito pessoas morreram na província, seis deles zimbabuanos.Centenas de pessoas cruzam a fronteira em Beitbridge todos os dias para procurar emprego na África do Sul, ou para comprar produtos não disponíveis no empobrecido Zimbábue. O porta-voz do governo de Limpopo, Mogale Nchabeleng, disse que a zona de fronteira Vhembe foi declarada uma área de desastre pelas autoridades. Com isso, as autoridades poderão mobilizar recursos mais rapidamente para combater o problema.

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