Epidemia de cólera no Haiti ainda não alcançou seu pico, diz OMS

Doença já matou 292 pessoas; taxa de mortalidade está decaindo

Efe

27 de outubro de 2010 | 13h56

GENEBRA - O surto de cólera no Haiti, que já deixou 292 mortos e 3.769 afetados, ainda não alcançou seu ponto máximo, embora a taxa de mortalidade esteja caindo, informou nesta quarta-feira, 27, a Organização Mundial da Saúde (OMS). "A epidemia ainda não chegou ao pico", disse em Genebra Claire Chaignat, diretora do programa especial de cólera da OMS.

 

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Apesar da permanência do surto de cólera, a taxa de mortalidade, estipulada em 10% há oito dias, quando forma registrados os primeiros casos, foi reduzida para 7,7%. "Todos os dispositivos estão em funcionamento para frear o pior cenário, que seria uma propagação da cólera nos acampamentos de desabrigados (onde vivem cerca de 1,3 milhão de pessoas) e na capital, Porto Príncipe (que só registrou cinco casos)", disse Claire.

 

Sobre a origem da epidemia, a diretora concordou com a opinião exposta ontem em Genebra pela porta-voz da OMS, Fadela Chaib, de que "ainda é cedo para saber suas causas exatas".

 

A especialista insistiu que é necessário trabalhar em três campos de atuação para frear a expansão - tratamento dos contaminados, prevenção nas áreas não afetadas e adequação das regiões mais insalubres. "A cólera é um indicador de pobreza, pode estar latente durante anos sem chegar a emergir", acrescentou Claire, e destacou que "este é o primeiro grande surto da doença no Haiti", diferente das informações anteriores que indicavam que se tratava do primeiro surto em 100 anos.

 

Embora a cólera não seja endêmica no país caribenho, pode passar a ser em alguns anos depois deste surto, segundo a OMS. A epidemia está centralizada no departamento de Artibonite, que registra 96% dos casos, mas também teve casos registrados em Mirebalais e na capital, Porto Príncipe, onde foram confirmados cinco afetados.

 

As regiões onde ocorreram as mortes não foram afetadas pelo devastador terremoto de janeiro. A maioria dos contaminados são pessoas que vivem em áreas rurais, onde prevalece a colheita de arroz.

 

Em relação a situação das fronteiras com a República Dominicana, onde nenhum caso foi registrado, Claire considerou que "não tem sentido fechá-las", mas recomendou que as autoridades do país vizinho tomem medidas de prevenção.

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