Epidemia de ebola na África Ocidental está fora de controle, diz MSF

A epidemia de ebola na Guiné, Libéria e Serra Leoa está fora de controle e vai exigir enormes recursos dos governos e agências para evitar uma maior disseminação, disse a organização Médicos Sem Fronteiras nesta segunda-feira.

REUTERS

23 de junho de 2014 | 12h25

Na semana passada a Organização Mundial de Saúde (OMS) informou que desde fevereiro o número de mortes chegou a 337. Este é o surto com o maior número de vítimas fatais desde que o ebola surgiu pela primeira vez em 1976.

A doença ainda não havia ocorrido nessa região da África, e as pessoas ainda estão assustadas e veem com desconfiança os serviços de saúde. Isso torna mais difícil controlar o surto, informou a MSF em um comunicado.

Ao mesmo tempo, a organização diz que a falta de informação significa que as pessoas continuam a frequentar funerais e a preparar os cadáveres das vítimas do ebola, ficando vulneráveis ??à doença, transmitida pelo contato e através de fluidos corporais das vítimas.

Grupos da sociedade civil, governos e autoridades religiosas ainda não reconheceram a escala da epidemia e, como resultado, apenas algumas figuras proeminentes estão promovendo a luta contra a doença, disse o comunicado.

"A epidemia está fora de controle", disse Bart Janssens, diretor de operações da MSF. "Com o surgimento de novos locais na Guiné, Serra Leoa e Libéria, há um risco real de se espalhar para outras áreas."

"O ebola não é mais uma questão de saúde pública limitada à Guiné. Ele está afetando toda a África Ocidental", declarou Janssens, pedindo à OMS, aos países afetados e a seus vizinhos que destinem mais recursos, especialmente equipes médicas treinadas.

A organização MSF tratou cerca de 470 pacientes, com 215 casos confirmados da doença, em centros especializados na região, mas informou ter chegado ao limite de sua capacidade.

Os pacientes foram identificados em mais de 60 locais nos três países, o que torna mais difícil conter o surto.

O ebola tem uma taxa de mortalidade de até 90 por cento, e não há vacina nem cura conhecida. O vírus provoca febre alta, dores de cabeça, dores musculares, conjuntivite e fraqueza, antes de passar para fases com vômitos severos, diarreia e hemorragias.

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