Cristobal Herrera/EFE
Cristobal Herrera/EFE

Epidemia ganha velocidade nos EUA e 12 Estados batem recorde de casos 

Enquanto governo tenta acelerar a volta das atividades econômicas e Trump retoma a campanha eleitoral, infecções crescem 15% em duas semanas; Flórida, Texas e Arizona registram entre 3,5 mil e 4 mil novas contaminações todos os dias 

Redação, O Estado de S.Paulo

21 de junho de 2020 | 20h15

WASHINGTON - Enquanto a maior parte dos EUA retoma lentamente as atividades econômicas, pelo menos 12 Estados estão reabrindo no momento em que batem recorde de novas infecções. Os casos mais graves são Flórida, Texas e Arizona, que registram entre 3,5 mil e 4 mil novos casos de covid-19 todos os dias. 

Apesar do esforço de Donald Trump e do vice-presidente americano, Mike Pence, em declarar o fim da pandemia, o vírus vem se acelerando nacionalmente. Em todo o país, os casos aumentaram 15% nas últimas duas semanas, puxados por novos surtos no Sul, na Costa Oeste e no Centro-Oeste. Neste domingo, pelo terceiro dia seguido, o número de novas contaminações chegou à marca de 30 mil – o que não se registrava desde abril. 

Ainda neste domingo, o assessor comercial da Casa Branca, Peter Navarro, admitiu que a Casa Branca está se preparando para uma segunda onda do vírus. “Estamos garantindo o estoque de equipamentos, antecipando um possível problema no outono (a partir de setembro)”, afirmou Navarro ao programa State of the Union, da CNN. “Estamos fazendo tudo o que podemos.”

A declaração de Navarro, no entanto, contraria a mensagem passada pelo próprio governo. Na quarta-feira, Trump promoveu uma blitz em jornais e TVs para tranquilizar a população. “A pandemia está indo embora”, afirmou o presidente em entrevistas ao Wall Street Journal e às emissoras Fox News, Sinclair e Gray TV. Pence também passou os últimos dias dizendo que o “perigo já passou”.

Na semana passada, a preocupação da Casa Branca era rebater as críticas ao presidente, que marcou um comício na cidade de Tulsa, no Estado de Oklahoma, que também vem registrando crescimento no número de novos casos. O comparecimento, no entanto, foi abaixo do esperado – apenas 6 mil pessoas em uma arena com capacidade para 20 mil.

No fim de semana, o governador da Flórida, o republicano Ron DeSantis, afirmou que as novas infecções afetaram de maneira desproporcional os jovens, entre 20 e 30 anos. Segundo ele, o aumento de casos ocorre em razão da testagem, que também cresceu. Especialistas, no entanto, apontam dois fatores preocupantes: o número de internações, que vem aumentando, e a proporção de testes com resultado positivo, que passou a barreira de 10% e chegou ao nível mais alto desde abril. 

O aumento no número de casos nos EUA, segundo epidemiologistas, pode ter duas origens. A primeira, o feriado do Memorial Day, em 25 de maio, quando os americanos lotaram parques, praias, balneários e piscinas públicas em diversas partes do país. No Texas, a taxa de internação cresceu 66% desde o feriado.

Para Entender

Coronavírus: veja o que já se sabe sobre a doença

Doença está deixando vítimas na Ásia e já foi diagnosticada em outros continentes; Organização Mundial da Saúde está em alerta para evitar epidemia

Outro fator é a retomada das atividades econômicas, especialmente em Estados governados por republicanos, ansiosos em replicar as determinações da Casa Branca para que o país retorne à normalidade – a Califórnia, governada por um democrata, onde os casos também estão crescendo, seria uma exceção à regra. 

Hoje, Michael Osterholm, diretor do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), comparou a pandemia a um incêndio florestal. “Não acho que vai desacelerar. Não teremos uma, duas ou três ondas. O que veremos é um longo e complicado incêndio florestal de casos”, disse Osterholm ao programa Meet the Press, da NBC. / NYT 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.