Epidemia no México está declinando, diz secretário

O secretário de Saúde do México, Jose Angel Cordova, afirmou que a epidemia provocada pelo vírus A (H1N1) - que vem sendo chamada de gripe suína - está em uma fase declinante, a despeito da propagação para a Europa e América Latina, com pelo menos cinco países registrando novos casos hoje.

AE-AP, Agencia Estado

03 de maio de 2009 | 15h28

A China colocou em quarentena mais de 70 mexicanos, enquanto Hong Kong isolou 350 pessoas em um hotel, como precaução embora nenhum novo caso tenha sido identificado na Ásia. No Egito, a tentativa das autoridades de matar os porcos para evitar eventuais infecções acabou levando criadores de porcos a se confrontarem com os policiais que davam cobertura a agentes que recolhiam os animais para abate. No confronto, 12 pessoas ficaram feridas.

No início desta tarde, o número de mortes associadas ao vírus se mantinha em 19 no México, enquanto o número de casos humanos contaminados subiu levemente, passando de 473 para 506, incluindo os mortos, de acordo com o secretário Cordova. Ele disse que a "evolução de epidemia está em uma fase declinante".

A gripe causada pelo vírus provocou a morte de uma criança nos EUA e se espalhou para 18 países, mas especialistas acreditavam que a disseminação do vírus pode ser ainda mais ampla. O número total de infectados ultrapassou os 800, com a maioria dos doentes concentrada no México, EUA e Canadá, segundo a Organização Mundial da Saúde. Mais cedo, a Organização Mundial de Saúde anunciou que a declaração de que a gripe seria uma pandemia era iminente, mas decidiu não elevar ainda o alerta para a doença.

A Colômbia confirmou hoje o primeiro caso de gripe na América do Sul, um dia depois de a Costa Rica ter se tornado o primeiro país na América Central com registro da doença.

Na Espanha, o Ministério da Saúde informou que o número de infectados pelo vírus subiu para 40, o que torna o país o mais castigado pela doença na Europa. O ministério informou que a maioria das vítimas já tinha se recuperado. Todos, com exceção de dois deles, tinham visitado o México recentemente. O Reino Unido, Itália e Alemanha também registraram novos casos hoje. Pouco mais de uma semana após a preocupação com a doença ganhar contornos mais profundos, o vírus continua como um mistério imprevisível.

Na China, autoridades pediram para que mexicanos se identifiquem ao chegar nos voos e sejam isolados de outros passageiros após a aterrissagem, afirmou o embaixador do México para o país, Jorge Guajardo. Nenhum dos cidadãos colocados em isolamento havia apresentado sintomas e a maioria não havia tido contato com pessoas infectadas ou lugares com foco da doença.

O governo de Hong Kong, que foi criticado por atrasos na adoção de medidas preventivas durante o surto da Sars, isolou o Hotel Metropark, no centro, onde um turista mexicano doente havia se hospedado, isolando no local 350 hóspedes e funcionários. Cerca de meia dúzia de policiais usando máscaras vigiavam o hotel hoje, embora nenhum dos ocupantes do prédio tenha apresentado sinais da doença. "Isto é altamente inconveniente. É o que está afetando as pessoas, pois fomos surpreendidos", disse Kevin Ireland, de 45 anos, que voltava de uma viagem de negócios para Nova Délhi, na Índia.

Cientistas alertavam que o vírus poderia sofrer mutações para uma cepa mais mortal. "A influenza é imprevisível", disse Tim Uyeki, do Centro de Controle de Doença e Prevenção dos EUA, que já acompanhou os surtos da Sars e da gripe aviária H5N1. "Há muitas perguntas sem respostas. Este é um novo vírus. Há muitas coisas que não sabemos sobre as infecções humanas com este vírus", comentou.

Na circunstância atual, uma das principais dificuldades é a falta de informações do México. Uma equipe internacional e mexicana de especialistas está tentando elaborar um quadro epidemiológico com base nas vítimas e tentando identificar o ponto de início da transmissão. Mas os detalhes demoram para surgir.

O presidente dos EUA, Barack Obama, pediu cautela sobre o assunto. "Esta é uma nova forma de vírus de gripe e, porque não desenvolvemos uma imunidade a ele, tem o potencial de nos fazer mal". Mais tarde, o presidente trocou informações com seu colega mexicano Felipe Calderón.

Pablo Kuri, um epidemiologista mexicano, afirmou que três dos mortos eram crianças e quatro das vítimas fatais eram pessoas com mais de 60 anos.

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