Epidemias ameaçam milhões de vítimas de enchentes na Ásia

Unicef teme epidemias e crise de saúde; muitos ainda estão isolados, sem água potável, alimentos e abrigo

BBC Brasil, BBC

10 de agosto de 2007 | 09h32

Milhares de pessoas estão adoecendo em todo o sul da Ásia, vítimas de infecções e doenças generalizadas, em conseqüência das enchentes que atingiram a Índia, Bangladesh e Nepal. As chuvas de verão, conhecidas como monções, inundaram enormes áreas destes países, criando lagos de águas paradas onde as doenças se multiplicam. Segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) milhões de crianças estão ameaçadas por um grande número de doenças pois as chuvas deixaram muitas famílias isoladas pelas enchentes, necessitando com urgência de água potável, alimentos e abrigo. "Se não conseguirmos fazer com que a ajuda chegue a quem precisa, corremos o risco de ver vilarejos inteiros serem atingidos por uma séria crise de saúde pública nos próximos dias. Muitas das áreas afetadas são de comunidades pobres que sofrem com a falta de saneamento e higiene durante o ano todo", afirmou Marzio Babille, chefe de Saúde do Unicef na Índia. "Água parada deixada pelas enchentes é ponto de proliferação de doenças doenças transmitidas em níveis potencialmente epidêmicos, como diarréia, infecções de pele, leptospirose e dengue. As crianças, que são 40% da população da Ásia, são particularmente vulneráveis", acrescentou.  O Unicef está distribuindo barracas de lona para abrigos, soluções para reidratação e purificação da água, suprimentos de água potável, alimentos para crianças, gestantes e mães que estão amamentando.  Fontes de água nas áreas afetadas estão contaminadas. Algumas continuam submersas, e as pessoas estão bebendo e usando na cozinha a água suja da superfície. Mas a organização afirma que as necessidades emergenciais na região vão durar muito tempo, pois muitos poderão continuar desabrigados durante semanas. MonçõesCerca de 30 milhões de pessoas foram afetadas pelas enchentes na Índia, Bangladesh e Nepal. Mais de 400 pessoas já morreram. O governo da Índia divulgou uma estimativa inicial dos prejuízos causados pela chuva que fica em torno de US$ 320 milhões, mas o número final deve ser maior. Segundo o Unicef, as operações de ajuda e resgate têm dificuldade em alcançar vilarejos e comunidades mais remotas. A maioria deles está sendo alcançada por barco ou atendida pelo lançamento aéreo de suprimentos. Milhares de casas, escolas, hospitais, estradas e obras de infra-estrutura, foram danificados ou inteiramente destruídos. O Unicef afirma que apenas na Índia 20 milhões de pessoas foram afetadas pela enchente em Assam, Bihar e Uttar Pradesh. Mesmo nas áreas onde a chuva diminuiu como no norte do estado de Bihar, a água parada representa risco de doenças para cerca de 11 milhões de pessoas, incluindo 1,5 milhão de crianças com menos de cinco anos. Em Bihar, o Unicef acredita que 2 milhões de pessoas tiveram que abandonar suas casas devido às chuvas, incluindo 300 mil crianças. Uttar Pradesh também foi atingida com mais de 2.600 vilarejos inundados, segundo o fundo da ONU. Áreas inundadas de Assam também enfrentam risco semelhante. com a população ameaçada de contrair diarréia e outras doenças. E o elevado número de refugiados nos campos e abrigos temporários também aumenta o risco de epidemia de sarampo. Em Bangladesh, que enfrentou enchentes nas últimas duas semanas, 8 milhões de pessoas foram afetadas e a situação pode piorar nos próximos dias. Na capital Daca, e seus arredores, 26 rios estão acima do nível normal, com as enchentes indo para o sul do país onde estão localizadas as áreas mais baixas. Cerca de 1,2 milhão de acres de terras cultiváveis foram danificados. O Unicef teme epidemias de diarréia, cólera e doenças de pele. Segundo o Unicef, no Nepal a inundação já afetou 300 mil pessoas principalmente nas áreas rurais de Terai, na fronteira com a Índia. Segundo dados oficiais, desde que a chuva torrencial começou há duas semanas, 95 pessoas morreram em 33 distritos (quase metade do país), afetados pelas chuvas e deslizamentos de terra. O nível da água já baixou em alguns locais, mas o acesso continua difícil e aumentam os relatos de surtos de doenças transmitidas por água suja, febre viral e infecções de pele. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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