Equador acusa ex-presidente de tentar golpe

Uma comissão oficial criada no Equador para investigar a revolta policial de 30 de setembro de 2010 - interpretada pelo presidente do país, Rafael Correa, como uma tentativa de golpe contra seu governo - afirmou, na segunda-feira, que "certos atores políticos", entre eles o ex-presidente Lucio Gutiérrez, participaram da movimentação. No mesmo dia, o chefe de Estado equatoriano acusou a imprensa de não dar ao tema o destaque merecido em seu aniversário.

QUITO, O Estado de S.Paulo

02 de outubro de 2013 | 02h39

"A imprensa corrupta não publica absolutamente nada (sobre os três anos da rebelião)", reclamou Correa em sua conta no Twitter. "Não importa. A democracia triunfou e continuará trinfando, com nosso povo, nossa revolução. Até a vitória sempre!", afirmou. O presidente equatoriano culpou ainda a mídia de seu país pelo que ocorreu em 2010. Segundo Correa, os meios de comunicação locais "semeiam cizânia até perceber que conseguem desestabilizar (o país)".

Após o motim dos policiais, que protestavam contra um suposto corte de benefícios de um grupamento de Quito, Correa tentou aplacar o protesto - mas foi agredido e se refugiou em um hospital, onde permaneceu cercado pelos revoltosos, que acionaram franco-atiradores nos tetos do entorno da unidade de saúde. O presidente denuncia que foi vítima de uma tentativa de homicídio.

Correa foi resgatado horas depois por forças militares de elite, após uma jornada de mobilizações de seus partidários em que dez pessoas foram mortas e centenas ficaram feridas. "Temos prova de que membros do Movimento Popular Democrático (de esquerda) e da Sociedade Patriótica (de Gutiérrez) tomaram parte nos fatos e deverão explicar suas atuações", disse Oscar Bonilla, em nome da comissão governamental que investiga a revolta de 2010.

As suspeitas do envolvimento de Gutiérrez foram divulgadas pelo grupo na semana passada. "Eu me encontrava no Brasil nesse momento. O 30 de setembro é uma verdadeira farsa, não houve aí nenhum golpe. Isso é invenção do governo", respondeu o ex-presidente. / AFP e AP

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