Dolores Ochoa/AP
Dolores Ochoa/AP

Equador afirma ter recebido ameaça do Reino Unido

Relatório inglês adverte para invasão da Embaixada do país andino em Londres caso Assange não seja entregue

estadão.com.br,

15 de agosto de 2012 | 18h45

Texto atualizado às 19h37   QUITO - O Equador denunciou nesta quarta-feira, 15, ter recebido uma carta do governo do Reino Unido ameaçando prender Julian Assange, criador do WikiLeaks, que pediu asilo político ao país andino. "Hoje recebemos do Reino Unido a ameaça expressa e por escrito que poderiam invadir nossa embaixada em Londres se o Equador não entregar Julian Assange", afirmou o chanceler equatoriano Ricardo Patiño.

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Na carta, divulgada pela chancelaria equatoriana, o governo britânico invoca uma lei de 1987 que lhe permitiria entrar na embaixada e deter Assange. "Vocês têm de saber que há base legal - a lei de instalações diplomáticas e consulares de 1987 - que nos permite agir para prender o senhor Assange nas dependências da embaixada", diz o texto. "Esperamos sinceramente que as coisas não cheguem a esse ponto, mas, se vocês não forem capazes de resolver o problema, essa é uma opção com a qual ainda trabalhamos."

A agência AP reportou que o número de policiais vistos na entrada da Embaixada do Equador em Londres aumentou nas últimas horas.

Por meio de nota, a secretaria do Exterior britânica disse ter a obrigação legal de extraditar Assange para a Suécia e estar determinada a cumpri-la. "Ainda estamos comprometidos em buscar uma solução aceitável para todos, diz o comunicado.

Em um comunicado, o Ministério das Relações Exteriores do Equador classificou a posição britânica inadmissível politica e juridicamente, um "ato hostil e pouco amistoso", que viola "expressas normas internacionais". Patiño ressaltou que, se a invasão ocorrer, o Equador vai reagir. "Não somos uma colônia britânica. Esse período terminou", afirmou, após reunião com o presidente Rafael Correa.

De acordo com o chanceler, o governo equatoriano anunciará na manhã de quinta-feira a resposta ao pedido de asilo político formulado por Assange.

O criador do WikiLeaks está na embaixada há oito semanas, desde que perdeu uma batalha jurídica para evitar ser extraditado para a Suécia, onde é procurado para responder a acusações de estupro. Ele nega as acusações e diz temer que a Suécia o envie para os Estados Unidos, onde acredita que as autoridades querem puni-lo pela publicação de papéis confidenciais do Departamento de Estado americano e documentos sobre as guerras do Iraque e do Afeganistão no WikiLeaks em 2010, em um caso que causou grande constrangimento para Washington.

Com Efe e Reuters

 

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