Equador apreende computadores de revista crítica ao presidente

Jornalistas denunciam perseguição; veículo tem publicado escândalos de corrupção durante a gestão de Rafael Correa

QUITO, O Estado de S.Paulo

02 de agosto de 2012 | 03h01

Autoridades do Equador apreenderam na tarde de terça-feira os computadores da revista Vanguardia, veículo crítico ao presidente do país, Rafael Correa, que tem revelado escândalos de corrupção. Os jornalistas da publicação denunciam uma perseguição por parte do Executivo federal equatoriano.

O Ministério das Relações Trabalhistas alega que a revista não cumpre a cota de contratação de funcionários com deficiência. No entanto, o editor-geral da revista, Iván Flores, afirmou ao Estado que a publicação cumpre essa regra, segundo a qual empresas com mais de 25 empregados são obrigadas a ter 4% de seu quadro composto por funcionários com alguma deficiência.

A Justiça do país exige que a Vanguardia pague cerca de US$ 29 mil para devolver os computadores. Algumas cadeiras da redação também foram apreendidas.

Flores afirmou que esse valor é referente a multas impostas desde 2009 pelo Executivo, "que não reconhece o registro da funcionária com deficiência" que, segundo ele, cumpre em sua empresa a cota exigida pela legislação equatoriana. "É a livre circulação de ideias que está em questão", disse, afirmando que, na segunda-feira, a revista circulará normalmente, pois seus jornalistas estão trabalhando com equipamentos próprios.

Segundo o jornalista, em 2009, homens armados roubaram "computadores específicos, como se fosse um assalto". O editor afirmou que no ano seguinte, em meio a uma ação que cobrava US$ 11 mil em pagamentos atrasados de um imóvel que a revista alugava do Estado, as autoridades apreenderam todos os computadores do veículo. "O dinheiro estava depositado em juízo", disse.

O assessor jurídico da revista, Carlos del Pozo, foi detido ao tentar impedir a apreensão na terça-feira. "Esse é o custo do jornalismo livre", disse o diretor da Vanguardia, Juan Carlos Calderón. Em fevereiro, ele e Christian Zurita foram condenados a pagar US$ 1 milhão cada um, por publicar em um livro denúncias que acusam o presidente de saber de contratos públicos que beneficiaram seu irmão Fabricio. Correa perdoou os jornalistas das indenizações. / GUILHERME RUSSO, COM EFE

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