Jorge Silva/Reuters
Jorge Silva/Reuters

Equador cederá aeroporto em Galápagos para uso militar dos EUA

Governo nega que se trate de uma base aérea americana, mas sim um recurso que poderá ser usado ocasionalmente no combate ao tráfico de drogas

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de junho de 2019 | 17h59

QUITO - O governo do Equador confirmou nesta segunda-feira, 17, que poderá permitir o uso da ilha de San Cristobal, no arquipélago de Galápagos, ao governo dos Estados Unidos para tráfego aéreo. 

O objetivo seria reforçar a fiscalização do tráfico de drogas na região, que segundo afirmação feita na semana passada pelo ministro da Defesa do país, Oswaldo Jarrin, serve de rota naval para transportar carga ilícita. 

A iniciativa foi alvo de críticas, tanto no âmbito político quanto na área ambiental. Cerca de 30 pessoas protestam nesta segunda em frente ao principal edifício do governo federal, contra os riscos ambientais que um aeroporto de grande porte, com fluxo aumentado, poderia causar na ilha. O arquipélago, composto por 13 ilhas principais, foi nomeado Patrimônio Mundial pela Unesco e serve de base para estudos sobre fauna e flora, devido à diversidade de espécies que abriga.

Críticas também são feitas a possíveis ameaças à soberania nacional do Equador, caso o acordo entrasse em vigor. Nesta segunda, segundo o jornal El Telégrafo, o ministro negou que o acordo envolva instalar uma base aérea dos EUA em Galápagos. Ele garantiu que o uso do aeroporto de San Cristobal seria feito ocasionalmente pelas aeronaves americanas. "Será um avião uma vez por mês, no máximo durante três dias (...) para emergência ou reabastecimento", afirmou. 

A proposta de ampliação do aeroporto, que seria custeada integralmente pelo governo dos EUA, seria necessária para comportar os aviões militares utilizados, como o Orion P3. Desde o ano passado, aeronaves como P3 e Awac realizam voos para patrulhar o mar equatoriano, tendo como centro de operações Guayaquil. 

O ex-presidente Rafael Correa escreveu em sua conta no Twitter que "Galápagos não é um 'porta-aviões' para uso gringo. É uma província equatoriana, patrimônio da humanidade e solo pátrio. Que sua alma de vassalo possa chegar a esses extremos, descreve muito bem a quem o governo representa".

Apesar do atual presidente, Lenin Moreno, ter sido o sucessor de Correa nas eleições de 2017, Moreno tem rompido com o governo de seu antecessor ao revogar diversas medidas e buscar maior aproximação aos EUA. Correa chegou a compartilhar nas redes sociais opiniões que consideram Moreno "traidor", além de acusá-lo de ter feito uma "guinada à direita". / com AP

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