Suzanne Plunkett/Reuters
Suzanne Plunkett/Reuters

Equador concede asilo político a Julian Assange

Fundador do WikiLeaks está refugiado na Embaixada do país em Londres, na Grã-Bretanha

estadão.com.br,

16 de agosto de 2012 | 09h10

Texto atualizado às 10h14

QUITO - O governo do Equador concedeu asilo político ao fundador do WikiLeaks, Julian Assange, nesta quinta-feira, 16. O anúncio foi feito pelo ministro das Relações Exteriores do Equador, Ricardo Patiño, às 09h38 horas, após 30 minutos de discurso, em anúncio com a presença da imprensa, no Equador.

Segundo Patiño, a situação enfrentada por Assange é perigosa. "Ele compartilhou informações confidenciais com o mundo, o que causa chances de retaliações, que poderiam ameaçar a integridade e vida de Assange", referindo-se aos documentos divulgados pelo WikiLeaks.

O chanceler citou a posição do Conselho de Segurança das Nações Unidas e das Convenções de Viena e Genebra sobre a proteção diplomática a embaixadas, tratados internacionais dos quais tanto Equador quanto a Grã-Bretanha são signatários.

Em resposta à ameaça britânica, classificada ainda na quarta-feira como uma tentativa de demonstração de "poder colonial", o Equador acionou organizações regionais como a Organização dos Estados Americanos (OEA) e a União das Nações Sul-Americanas (Unasul). "O Equador é uma nação democrática, soberana, e não podemos aceitar tais ameaças à nossa soberania", disse.

Embaixada

Assange está refugiado na Embaixada do Equador em Londres, na Grã-Bretanha, desde 19 de junho, para evitar a extradição à Suécia, onde querem interrogá-lo sobre denúncias de crimes sexuais. O criador do WikiLeaks, que publicou milhares de documentos diplomáticos secretos dos Estados Unidos, disse que teme ser enviado a esse país, onde acredita que sua vida correria riscos.

Até o momento, os Estados Unidos nem as autoridades suecas fizeram acusações formais contra Assange. Promotores suecos querem interrogá-lo sobre acusações de violação e agressão sexual feitas por duas participantes do WikiLeaks em 2010. Assange disse que teve relações sexuais consentidas com as mulheres que o denunciaram.

As autoridades equatorianas avaliaram o risco de Assange ser julgado por razões políticas e acabar condenado à morte, no caso de ser extraditado aos Estados Unidos. O presidente do Equador, Rafael Correa, é declaradamente simpático a Assange.

"Pela janela"

Assange estará protegido da prisão se viajar em um carro diplomático, mas a embaixada fica no primeiro andar de um prédio vigiado pela polícia dia e noite. O prédio alto de tijolos vermelhos fica bem atrás da loja de departamentos Harrods e também abriga a embaixada colombiana e apartamentos particulares. Uma van da polícia estava estacionada diante da entrada principal nesta quarta-feira e policiais patrulhavam a área em duplas.

A propriedade tem várias entradas com portões e um estacionamento privado, mas a embaixada equatoriana não tem ligação interna com nada disso, tornando a entrada principal o único ponto de saída, disse um administrador da segurança do prédio à Reuters. "Não há outra saída. Ele terá de sair pela entrada principal", afirmou o administrador, que pediu para não ter seu nome divulgado. "Não há como trazer um veículo porque o estacionamento é particular e não está conectado de nenhuma forma com o estabelecimento deles."

Ele acrescentou: "Ele pode sair por uma janela, claro, mas há câmeras de CCTV por todos os lados". Mesmo que Assange consiga de alguma forma sair do prédio e entrar em um carro sem a polícia perceber, teria de sair do carro em algum ponto para embarcar em um avião a fim de deixar a Grã-Bretanha, o que seria uma nova oportunidade para sua prisão.

Com Agências de Notícias

 

 

 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.