Equador: Congresso é cercado após restituição de deputados

Centenas de policiais equatorianos armados com escudos cercaram o prédio do Congresso nesta terça-feira, 24, um dia depois de uma corte constitucional ter decidido restituir 50 deputados da oposição que perderam seus cargos no mês passado. A medida reacendeu a crise política no país. O presidente do Equador, Rafael Correa (um político de esquerda), condenou a decisão da corte na segunda-feira, considerando-a ilegal e "vergonhosa". Correa tenta tirar poder do Congresso e das elites políticas tradicionais acusadas por muitos de serem as responsáveis pelo clima de instabilidade verificado no país. Os equatorianos deram amplo apoio ao plebiscito defendido pelo governo e realizado na semana passada para montar uma assembléia especial encarregada de reformar a Constituição e conter a influência da elite tradicional sobre o Poder Judiciário e outras instituições do país. Os 50 deputados conduzidos de volta a seus cargos na segunda-feira fazem parte do grupo de 57 cassados no mês passado por uma corte eleitoral sob a acusação de terem tentado bloquear ilegalmente o plebiscito. O Congresso, controlado agora por deputados aliados de Correa que substituíram os legisladores cassados, pode contra-atacar na terça-feira, tentando depor os membros da corte constitucional, afirmaram alguns assessores do órgão. Os deputados beneficiados elogiaram a decisão judicial, mas disseram que ainda avaliavam a possibilidade de tentar entrar no Congresso e retomar suas cadeiras. Em março, esses legisladores travaram um conflito com a polícia e conseguiram invadir o Congresso para protestar contra sua cassação. "Deveríamos ter autorização para regressar ao Congresso. Mas tememos por nossa segurança", afirmou Gloria Gallardo, um dos deputados cassados. "Vamos avaliar a postura do presidente e da corte eleitoral antes de tomar qualquer decisão." Centenas de manifestantes de um partido de esquerda aliado de Correa invadiram a corte constitucional na segunda-feira a fim de exigir dos juízes que reformassem sua decisão. Os magistrados foram escoltados para fora dali pela polícia enquanto a multidão atirava frutas e verduras contra eles. Correa, um economista eleito em novembro, é popular atualmente por, entre outros motivos, defender uma ampla reforma política no país, marcado pela instabilidade -- em uma década, o Equador assistiu à deposição de três presidentes. Mas adversários dele acusam-no de tentar apenas ampliar seus poderes.

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