Equador decreta estado de emergência em província petrolífera

O governo do Equador declarou estado de emergência (exceção) na província amazônica de Napo, onde fica grande parte da indústria petrolífera do país. A medida é uma tentativa de sufocar um violento protesto dos habitantes locais, informou a secretaria de Comunicação da Presidência em Quito. O petróleo é o principal produto de exportação do Equador e sua venda financia quase 40% do orçamento do Estado.O presidente equatoriano, Alfredo Palacio, mediante decreto, declarou também a jurisdição de Napo como "zona de segurança" e a suspensão dos direitos cidadãos nessa província.Palacio ordenou à polícia efetuar todos os esforços para restabelecer a ordem em Napo, desde o domingo passado paralisada por suas principais autoridades civis, que exigem obras ao governo. O decreto prevê a mobilização dos recursos públicos necessários para atender à emergência em Napo.O secretário da Administração Pública, José Modesto Apolo, indicou que a medida tenta proteger a população das ações violentas dos manifestantes, assim como prevenir atos que possam comprometer a indústria petrolífera da região.A declaração do estado de exceção acontece poucas horas depois de três manifestantes serem baleados por militares em uma estação de bombeamento de petróleo em Sardinas, que faz parte do sistema de Oleoduto de Petróleo Pesados (OCP), administrado por um grupo de empresas estrangeiras.Dezenas de manifestantes ocuparam essas instalações e obrigaram a empresa OCP-Equador suspender a operação nesse oleoduto, que une os campos petrolíferos da Amazônia com os portos de embarque no Oceano Pacífico.Mobilização popularMilhares de habitantes de Napo estão em Baeza, cerca de 100 quilômetros ao leste de Quito e muito perto de Sardinas, onde os líderes da greve provincial concentram o protesto. "Palacio assassino" e "Queremos justiça" são algumas das palavras de ordem dos manifestantes, sendo que alguns declararam ao canal de televisão Ecuavisa, que não se retirarão do local, apesar do estado de exceção.O Oleoduto de Petróleos Pesados, pelo qual são transportados cerca de 160.000 barris diários de petróleo, é administrado por um consórcio integrado pela companhia petrolífera Encana (Canadá), pela Repsol YPF (hispano-argentina), pela Petrobras (Brasil), pela Ocidental (EUA), pela Perenco (França) e pela Agyp (Itália).A suspensão da operação do OCP aconteceu poucas horas depois de a empresa estatal Petroecuador anunciar o reatamento de suas exportações de petróleo, após reparar um oleoduto de sua propriedade pelo qual transporta ao redor de 360.000 barris diários de petróleo, que também sofreu avarias pela ação de manifestantes que ocuparam a estação de bombeamento de El Salado, perto da de Sardinas.O Sistema de Oleoduto Transecuatoriano (Sote), da Petroecuador, e do OCP, ambos de 503 quilômetros de comprimento, correm de forma paralela desde os campos petrolíferos da Amazônia até os portos de embarque no Oceano Pacífico.

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