EFE/FACUNDO ARRIZABALAGA
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Equador diz que não permitirá que Assange 'falte com a verdade' contra o país

Um dia depois de o fundador do WikiLeaks acusar governo de Lenín Moreno de planejar suspender asilo e entregá-lo aos Estados Unidos, Quito reage e diz que toma decisões de acordo com interesses nacionais e não para agradar potências estrangeiras

O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2018 | 11h55

QUITO - O Equador exigiu nesta terça-feira, 30, que Julian Assange, asilado em sua embaixada em Londres desde 2012, respeite sua soberania e advertiu que não permitirá que o fundados do WikiLeaks falte com a verdade. Na véspera, Assange acusou Quito de planejar sua extradição para os Estados Unidos.

"(Quito) não permitirá afirmações ou insinuações que faltem com a verdade sobre a conduta do governo nacional no tocante ao asilo diplomático que lhe foi outorgado", informou a chancelaria equatoriana em comunicado. "O Equador demandará do asilado o respeito à soberania e ao bom nome do país."

O criador do WikiLeaks participou por videoconferência de uma audiência realizada na capital equatoriana em que a Justiça rechaçou uma demanda constitucional de Assange para a suspensão de normas impostas pelo país sobre suas visitas na embaixada em Londres, sua comunicação e a salubridade de seu abrigo.

O australiano teme ser extraditado para os EUA por ter divulgado centenas de milhares de documentos secretos de Washington em seu site.

Além disso, a Justiça do Reino Unido mantém uma ordem de prisão contra Assange, de 47 anos, por descumprir obrigações de sua liberdade condicional quando era acusado de supostos crimes sexuais cometidos na Suécia - onde os casos não prosperaram.

Sem interferência

Na ação de proteção, rechaçada em primeira instância, Assange pedia o restabelecimento de suas telecomunicações, cortadas desde março pelo Equador, e que não fosse mais aplicado um protocolo de convivência da representação diplomática, cujo descumprimento resultará no "término do asilo".

A defesa de Assange apelou da decisão e o caso foi enviado para um tribunal superior que, nos próximos dias, dará um parecer definitivo sobre o caso.

A chancelaria equatoriana destacou que com o protocolo em vigor desde meados de outubro, foram restabelecidas as comunicações de Assange por meio do acesso Wifi da embaixada.

Ele foi advertido, no entanto, que "em sua condição de asilado e de acordo com os tratados internacionais que regem o tema, não poderá fazer nenhum tipo de declaração, difusão ou pronunciamento que interfiram com outros Estados ou que possam afetar interesses do Equador".

Quito havia cortado todas as comunicações de Assange com o exterior da embaixada depois de ele criticar o governo espanhol por suas ações contra os independentista da Catalunha.

Depois da audiência de segunda-feira, o procurador-geral do Estado equatoriano, Íñigo Salvador, afirmou para a imprensa que o que Assange desejava com o requerimento era "uma resposta para supostas influências de potências estrangeiras sobre o governo".

"(Quito) dita suas normas e regulamentações com base no interesse público e não com base no interesse de potências estrangeiras", disse Salvador. 

O Reino Unido se nega a conceder um salvo-conduto para que o australiano possa sair sem problemas da representação diplomática. Em dezembro, o Equador naturalizou Assange e lhe concedeu passaporte diplomático, mas as medidas não foram reconhecida por Londres. / AFP

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