Equador diz que situação de Snowden é 'complexa'

O presidente do Equador, Rafael Correa, descreveu como "complexa" a situação de Edward Snowden, que pediu asilo para a nação sul-americana após revelar informações sobre programas secretos dos EUA. Correa também reafirmou que Snowden precisa chegar em território equatoriano para que seu pedido possa ser processado.

AE, Agência Estado

28 de junho de 2013 | 03h34

Os comentários mostram mais mensagens contraditórias do Equador, que disse que examinará o pedido de asilo de Snowden, mas negou na quinta-feira que havia concedido documentos de viagem ao delator, levantando dúvidas sobre o destino do norte-americano.

Muitos acreditam que Snowden, procurado pelos EUA sob a acusação de espionagem, está em uma área de trânsito de um terminal do aeroporto de Moscou, possivelmente sem nenhum documento de viagem válido. Snowden fugiu de Hong Kong no fim de semana e seu destino final parecia ser o Equador, mas a falta de documentos de viagem parece estar dificultando seus planos.

A situação de Snowden é "complexa e não sabemos como ele vai resolver isso", disse Correa em uma coletiva de imprensa.

O líder equatoriano repetiu comentários de autoridades do governo de que o pedido de Snowden só pode ser processado se ele estiver em território equatoriano. Correa também afirmou que o pedido poderia ser processado se Snowden chegasse a uma embaixada equatoriana. Mas o presidente deixou claro que, de qualquer maneira, "isso não significa que o asilo será aprovado, mas isso significa que ele vai ser processado".

O único contato entre o Equador e Snowden foi uma visita de Patricio Chávez Závala, o embaixador do Equador para a Rússia, no aeroporto de Moscou para discutir o pedido de asilo, comentou o presidente.

O líder equatoriano também repetiu comentários de seus principais assessores, indicando que Snowden não tinha qualquer documento de viagem válido emitido pelo Equador.

Na quarta-feira, a Univision Networks publicou imagens de um suposto documento aparentemente emitido pela embaixada do Equador em Londres que, segundo a empresa, seria uma "passagem segura" para viagens temporárias para Snowden. O delator precisaria deste documento depois que autoridades norte-americanas disseram no início desta semana que haviam cancelado seu passaporte.

Correa afirmou que, mesmo se tal documento existisse, a pessoa que o emitiu não teria autoridade e [o documento] "não teria validade".

O Equador criticou os esforços diplomáticos de Washington para fechar todas as rotas de fuga de Snowden. Correa disse que seu governo não seria intimidado por pedidos dos EUA para que negasse o asilo de Snowden. "O Equador não aceita pressão ou ameaças de ninguém e não faz barganha com seus princípios ou soberania", disse Correa. Fonte: Dow Jones Newswires.

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