AP Photo/Frank Augstein
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Equador e Reino Unido negociam saída de Assange de embaixada

Presidente equatoriano esteve por três dias em Londres, mas os dois governos negam ter discutido a questão

O Estado de S.Paulo

27 Julho 2018 | 20h07

LONDRES - Seis anos após Julian Assange se exilar na Embaixada do Equador em Londres, o impasse diplomático envolvendo o fundador do site WikiLeaks pode estar perto do fim. O presidente do Equador, Lenín Moreno, negocia com as autoridades britânicas e com advogados de Assange para que ele deixe a sede diplomática.

“Estamos buscando uma solução legal que agrade a todos, porque o que queremos é que a vida dele não corra perigo”, disse Moreno nesta sexta-feira, 27, em Madri, depois de passar três dias em Londres. “Até porque, permanecer muito tempo em isolamento também viola os direitos humanos.”

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O Equador ofereceu asilo a Assange em 2012, quando o australiano corria o risco de extradição para a Suécia para ser interrogado sobre acusações de assédio sexual. Essas alegações já foram retiradas, mas Assange pode ser preso pela polícia britânica se deixar a embaixada por violar as condições de fiança. Como o Reino Unido tem acordo com os Estados Unidos, Assange pode ser extraditado para o país, que o procura por ter feito vazar milhares de segredos diplomáticos e militares no site do WikiLeaks.

“Jamais fui a favor da atividade do senhor Assange”, disse Moreno, que já descreveu a situação do australiano como “insustentável” e “uma pedra em seu sapato”. “Mas a retirada dele tem de ser feita corretamente e com muito diálogo”, completou o presidente.

Tensão

As especulações sobre o destino de Assange começaram depois que o jornal The Sunday Times publicou uma reportagem sobre a discussão de altos funcionários do Equador e do Reino Unido sobre ações para a retirada de Assange. Os governos equatoriano e britânico negam que tenha havido avanço nas negociações. 

Há alguns meses a imprensa tem especulado que o Equador se preparava para revogar o asilo a Assange. Desde que assumiu o governo, em 2017, Moreno se declarou contrário à permanência. Em março, o Equador suspendeu o sistema de comunicação de Assange.

A medida foi tomadas após ele publicar mensagens contra a Alemanha e em defesa do separatismo catalão, contradizendo um pedido expresso do governo equatoriano para que evitasse pronunciamentos públicos de tom político. Em maio, Moreno ordenou a retirada da segurança adicional da pequena sede diplomática do Equador em Londres. 

Os partidários de Assange o consideram um defensor da liberdade de expressão que expôs abusos de poder, mesmo que isso lhe trouxesse grandes custos pessoais. Seus críticos o consideram um criminoso que, de maneira imprudente, coloca vidas em perigo em muitos países ao expor segredos de alto nível. O WikiLeaks publicou milhares de documentos sensíveis, que haviam sido divulgados pela ex-analista de Inteligência do Exército dos EUA Chelsea Manning, libertada em 2017 após passar sete anos na prisão. / REUTERS e AFP 

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