Rodrigo Buendia/AFP
Rodrigo Buendia/AFP

Equador escolhe prefeitos com aprovação de Lenín Moreno em queda

Presidente teve pico de popularidade após romper com Correa, mas perdeu 38 pontos porcentuais em um ano

Luiz Raatz, O Estado de S.Paulo

24 de março de 2019 | 05h00

Dono de uma aprovação de 77% nos primeiros meses de mandato, o presidente do Equador, Lenín Moreno, enfrenta queda de popularidade e vê o cenário partidário se fragmentar. O líder que rompeu com o padrinho político Rafael Correa já perdeu 38 pontos porcentuais e se tornou um político impopular. 

Neste domingo,24, os equatorianos vão às urnas para eleger prefeitos, governadores e um conselho de participação que tem o poder de definir autoridades judiciais e eleitorais, em uma disputa que deve deixar mais claro o mapa político do Equador. 

Segundo o instituto Cedatos, a aprovação a Moreno caiu para 30% em março, depois de estar em 68% há um ano. Especialistas atribuem a queda às medidas econômicas do presidente, que se distanciou da chamada revolução cidadã de Correa tanto no cenário doméstico, onde adotou uma agenda econômica liberal, quanto externo, onde se distanciou do bloco bolivariano. 

“A aprovação caiu porque, apesar de agradar aos setores empresariais, ele não apresentou resultados para a população, acostumada com um Estado muito presente na época de Correa”, disse ao Estado o cientista político Edison Hurtado, da Faculdade Latino Americana de Ciências Sociais (Flacso).

O ponto de inflexão de Moreno foi o referendo de 2017, que desmantelou parte da estrutura burocrática correista, trocando juízes, procuradores e membros da Justiça eleitoral.

O referendo provocou o colapso do Aliança País, partido fundado por Correa, que detinha a maioria na Assembleia Nacional. Um bloco de 30 deputados leais ao ex-presidente deixou o partido, o que fez Moreno consolidar o comando sobre o que restou da legenda e a aliar-se a pequenos partidos de esquerda e indígenas, além de buscar o apoio da direita em temas econômicos e no combate à corrupção. 

“O correismo tem tido muitos problemas para se recolocar politicamente. Conseguiu na última hora uma legenda. Mas a identificação do imaginário popular de vincular Correa ao Aliança País pode prejudicá-los”, avaliou Franklin Ramírez, também da Flacso. 

Analistas ressaltam, no entanto, que ainda no segundo turno, uma aliança tácita feita com Jaime Nebot, prefeito de Guayaquil, já sinalizava o giro de Moreno para a direita. “Nebot hipoteca apoio ao presidente, certamente na espera de herdar uma economia mais ordenada para disputar a presidência em 2021. Mas o cenário é muito fragmentado”, explicou Walter Spurrier, da consultoria Ecuador Analisys. 

Outra consequência, segundo o analista, foi o enfraquecimento da oposição tradicional ao correismo, centrada no prefeito de Quito, Mauricio Rodas, e no candidato derrotado à presidência em 2017, Guillermo Lasso. “A avaliação de Rodas caiu muito, enquanto Lasso se viu dividido entre a oposição a Moreno e o apoio a suas medidas liberais”, acrescentou Spurrier. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.