Rodrigo Buendia/AFP
Rodrigo Buendia/AFP

Equador vai recontar votos após denúncias de fraude

Pedido de recontagem foi feito pelo líder indígena Yaku Pérez com o apoio do candidato de direita Gillermo Lasso

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de fevereiro de 2021 | 20h30

QUITO - O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) aceitou nesta sexta-feira, 12,  realizar uma recontagem de votos em 17 das 24 províncias do Equador para dar transparência ao processo eleitoral depois de denúncias de fraude feitas pelo líder indígena Yaku Pérez

“Revisaremos 100% da votação na Província de Guayas, incluindo as atas com atualizações, e revisaremos 50% da votação em 16 províncias. É importante destacar que é um processo d revisão contábil do pacote eleitoral”, disse a presidente do CNE, Diana Attamaint, após várias horas de deliberações sobre questões legais.

A decisão foi anunciada após o ex-banqueiro Guillermo Lasso e Pérez, que disputam uma vaga no segundo turno das eleições presidenciais no Equador, concordarem em solicitar uma recontagem de votos para descartar a possibilidade de fraude no primeiro turno.

O líder indígena, um advogado ambientalista de 51 anos, disse que querem impedir sua participação no segundo turno – ele tinha 19,38% dos votos até ser empurrado para o terceiro lugar, na quarta-feira pelo conservador Lasso, de 65 anos, que obteve 19,74%.

Um deles disputará a presidência no segundo turno contra o economista Andrés Arauz, de 36 anos, candidato de Correa. Ele teve 32,7% dos votos, segundo apuração preliminar, que ontem tinha alcançado 99,96% das atas eleitorais. 

Durante reunião com Lasso na sede do CNE – da qual também participaram observadores internacionais, entre eles da Organização dos Estados Americanos (OEA) –, Pérez disse que há “uma oportunidade histórica de demonstrar ao país que não houve fraude e o processo eleitoral (de domingo) ocorreu de forma transparente”. 

“A história do Equador está marcada pela desapropriação”, disse o candidato indígena, referindo-se ao passado colonial e da indústria do extrativismo, assegurando que “a desapropriação não terminou” e “estão nos levando tudo”. “A desapropriação continua, hoje é de votos, a desapropriação de um sonho, de um projeto, da verdadeira esperança”, declarou.

Pérez acusou da tentativa de fraude o que chamou de “um novo Nostradamus”, que “conhecia com antecedência os resultados” e “já não está no Equador”, em clara alusão ao ex-presidente Rafael Correa.

Lasso, que viajou de Guayaquil a Quito para a reunião, apoiou a proposta de recontar os voto. “Que seja feita a recontagem dos votos no marco da lei, pois se não tivermos a lei como base estaremos abandonando o Estado de direito e isso é o caminho mais perigoso para produzir um caos, uma desordem totalmente fora do objetivo do povo equatoriano”, disse. 

União

A lei estipula que os resultados eleitorais devem ser apresentados dez dias após as eleições – no caso, a próxima quarta-feira. Isso dificultará a realização de uma apuração completa como exige Pérez. Por isso, a revisão poderia ser realizada em apenas sete províncias.

O candidato conservador estendeu a mão ao rival para uma luta comum contra o correísmo. “Temos um adversário em comum. E, como não podemos permitir que retorne, este diálogo é imperativo, é necessário, pois mais de 68% da população disse não a esse modelo”, afirmou o conservador. Lasso disse que a maior parte das opções teve o “denominador comum de não permitir que retorne ao Equador o modelo totalitário, que somente dividiu a sociedade equatoriana e cometeu atos de corrupção e enganou o povo”.

O governo do presidente Lenín Moreno, cujo mandato de quatro anos termina em 24 de maio, assegurou que colocará à disposição “os recursos econômicos necessários para o processo de recontagem”, indicou ontem um comunicado do Ministério das Finanças. / AFP e EFE

 

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