EFE/José Jácome
EFE/José Jácome

Equador confirma morte de jornalistas sequestrados por dissidência das Farc

Governos equatoriano e colombiano lançam ação militar na região da fronteira e oferecem US$ 100 mil por informações que levem à captura do líder da frente desertora; Santos minimiza impacto no futuro do acordo de paz na Colômbia

O Estado de S.Paulo

13 Abril 2018 | 14h57

QUITO - O Equador lançou nesta sexta-feira, 13, uma operação militar na região da fronteira com a Colômbia após confirmar a morte da equipe de imprensa sequestrada por dissidentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), no dia 26 de março. O presidente Lenín Moreno ofereceu uma recompensa de US$ 100 mil por informações sobre o equatoriano Walter Artízala, conhecido como Guacho, líder da Frente Oliver Sinisterra. 

Equador dá prazo de 12 horas para receber provas de vida de jornalistas sequestrados

“Lamentavelmente, temos a informação que confirma o assassinato”, afirmou o presidente equatoriano depois de dois dias de dúvidas sobre a veracidade de um comunicado enviado pelo grupo rebelde informando a morte dos dois jornalistas e do motorista da equipe do jornal El Comercio. A dissidência comandada por Guacho foi acusada de ser a mandante do crime.

O repórter Javier Ortega, de 32 anos, o fotógrafo Paúl Rivas, de 45 anos, e o motorista Efraín Segarra, de 60 anos, foram sequestrados na região costeira de Mataje, onde faziam uma reportagem. Na quarta-feira, a frente comandada por Guacho afirmou que os reféns haviam sido mortos em uma operação militar de resgate. Os governos equatoriano e colombiano negaram a realização de qualquer ação militar. 

Dissidência das Farc diz que equipe de imprensa equatoriana alvo de sequestro foi morta

A dissidência das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) era uma preocupação, bem como a existência de outros grupos criminosos, desde a assinatura do acordo de paz entre Bogotá e a guerrilha, em 2016. “Desde o processo de paz, alguns guerrilheiros não se submeteram ou se submeteram e depois reincidiram. Neste último caso, estamos falando de aproximadamente 800 guerrilheiros que voltaram às armas”, afirmou ao Estado o analista Ariel Ávila, subdiretor da Fundação Paz e Reconciliação.

Ao emitir o comunicado sobre a morte dos equatorianos, o grupo rebelde afirmou que voltava ao campo de batalha “em razão da irresponsabilidade do governo colombiano ao não cumprir os acordos firmados com a direção do secretariado das Farc-EP”.

+ Ex-negociador de paz das Farc é preso na Colômbia e pode ser extraditado para os EUA

A afirmação levantou suspeitas de que a morte dos três fosse uma reação à prisão de Jesús Santrich, um dos líderes do agora partido político Farc (Força Alternativa Revolucionária do Comum). Seusis Pausivas Hernánde (Jesús Santrich é seu nome de guerra) foi detido na segunda-feira por narcotráfico e pode ser extraditado para os EUA.

Santrich é acusado de tentar distribuir 10 toneladas de cocaína em território americano depois da assinatura do acordo de paz. Se o crime for comprovado, ele deixa de ter o benefício de ser julgado pela Justiça Especial para a Paz (JEP), que não permite a extradição de ex-guerrilheiros apenas por crimes cometidos até a assinatura do acordo.

Para Ávila, os dois casos não estão relacionados e o acordo não deve ser prejudicado. “Não há relação com o caso de Santrich. É preciso levar em conta que as Farc operaram em 242 municípios, dos 1.122 que tem o país. Hoje, os grupos de desertores estão em 48 municípios, mas são pessoas envolvidas com o narcotráfico, não guerrilheiros.”

+ Em vídeo, jornalistas equatorianos sequestrados aparecem acorrentados e pedem resgate; veja

 Na quinta-feira, Moreno deixou a Cúpula das Américas, no Peru, e voltou ao Equador após boatos de que circulava uma fotografia mostrando os três reféns mortos. 

Na sexta-feira, 13, o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, enviou o ministro da Defesa, Luis Carlos Villegas, e comandos militares e policiais de alto escalão a Quito para atuar de forma conjunta nas operações militares na fronteira, um dos pontos estratégicos na rota do Pacífico para transportar cocaína pela América Central até os EUA. 

Em Lima, Santos minimizou as afirmações de que o acordo de paz está em risco com a morte dos jornalistas. “Os responsáveis são gangues de criminosos dedicadas ao narcotráfico. As Farc deixaram de existir.”/ AP, AFP e EFE, COM FERNANDA SIMAS

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.