Santiago Arcos/REUTERS
Santiago Arcos/REUTERS

Equador inicia vacinação contra a covid-19

Com colapso de hospitais e serviços funerários, país foi um dos mais afetados pela pandemia na América Latina

Redação, O Estado de S.Paulo

21 de janeiro de 2021 | 18h19

 

O Equador, um dos países mais afetados pela pandemia na América Latina, iniciou nesta quinta-feira, 21, a aplicação da vacina contra a covid-19 desenvolvida pela Pfizer/BioNTech, imunizando profissionais de saúde da linha de frente em vários hospitais. 

"É uma bênção para o país, pois é a ferramenta mais importante no combate à pandemia", disse Jeanneth Morales, chefe do Serviço de Emergência do Hospital Militar de Quito, após ser vacinada. 

Um primeiro lote de 8 mil doses, dos cerca de 2,1 milhões adquiridos da aliança germano-americana, chegou na quarta-feira, 20, e começou a ser aplicado nos hospitais estaduais de Quito e Guayaquil. 

No hospital Pablo Arturo Suárez, em Quito, o médico Jorge Luis Vélez fechou os olhos ao receber a injeção que durou alguns segundos. 

"Sinto que a ciência fez a sua parte, acompanhei esta vacina de forma acadêmica, li muito e sinto que agora há uma luz de esperança, de oportunidade", disse Vélez.

A vacinação começou  "em homenagem a todos os médicos e profissionais de saúde que sofreram da doença. Muitos deles morreram. Hoje há esperança", disse o ministro da Saúde, Juan Carlos Zevallos, em comunicado à imprensa.

Uma segunda dose será aplicada 21 dias após a primeira, de acordo com autoridades. 

Na chamada “fase zero”, que começou nesta quinta-feira, os profissionais de saúde da linha de frente contra a pandemia, assim como os idosos em centros geriátricos e seus auxiliares, serão vacinados voluntariamente.

A Pfizer planeja enviar cerca de 86 mil doses até o final de fevereiro, de um total de dois milhões, a maior parte das quais chegará a partir de março próximo, quando passará pela fase de vacinação em massa.

O Governo equatoriano anunciou que investirá cerca de 200 milhões de dólares na aquisição de vacinas contra o covid-19, que serão despachadas até setembro ou outubro, para imunizar cerca de 9 milhões de habitantes.

Dois milhões de doses serão adquiridas do consórcio Pfizer-Biontech, quatro milhões da britânica AstraZeneca, 4 milhões da empresa Covaxx e outros oito milhões da iniciativa COVAX, esta última coordenada pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

O plano é chegar a 18 milhões de doses, ou seja, cobrir cerca de 60% da população até 2021

Colapso

Depois que o primeiro caso de coronavírus foi confirmado no Equador em 29 de fevereiro, Guayaquil, a populosa cidade portuária e centro comercial do país, sofreu um colapso de seus hospitais e serviços funerários. 

No início da crise, a cidade não estava conseguindo recolher os corpos de seus mortos, muitas vezes deixados nas ruas. Em abril, o governo chegou a retirar 800 corpos de pessoas que morreram em suas casas. A prefeitura chegou a distribuir caixões de papelão.

O Equador, com 17,4 milhões de habitantes, registrou até o momento 14.437 mortes e 234.315 casos. A maioria dos casos (75.710) foi registrada na capital, Quito. /AFP e EFE

 

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