Equador investiga funcionários envolvidos no caso Odebrecht

Rafael Correa ameaça abrir processos internacionais contra dívidas externas ou empréstimos 'ilegais'

Reuters

26 de setembro de 2008 | 12h48

A Procuradoria equatoriana começou nesta sexta-feira, 26, uma grande investigação contra os funcionários do Estado envolvidos no fechamento dos contratos em que a Odebrecht participou para a construção da usina de San Francisco, que apresentou uma falha e está paralisada desde junho, além de quatro outros projetos da empresa brasileira no país.   Veja também: Dívida do Equador no BNDES é da Odebrecht, diz Dilma Rousseff Expulsão é jogada do Equador, diz Lula Equador expulsa Odebrecht e ameaça não pagar o BNDES Ouça o relato do enviado especial Roberto Lameirinhas    Ainda nesta sexta, o presidente equatoriano, Rafael Correa, ameaçou abrir processos internacionais contra dívidas externas ou empréstimos "ilegítimos" que ele afirma estarem repletos de irregularidades. Contratamos uma firma de advocacia para analisar a possibilidade de ação legal em âmbito internacional", disse Correa durante uma entrevista à televisão, referindo-se a dívidas "ilegítimas". Os comentários do líder esquerdista podem assinalar uma mudança de postura dois dias antes do referendo constitucional de domingo. A vitória do "sim" pode reforçar o domínio do governo sobre a economia. No início da semana, Correa reviu um relatório que determina quais dívidas podem ser consideradas "ilegítimas."Correa, que assumiu o cargo em janeiro de 2007 depois de uma campanha linha-dura sobre o pagamento de dívidas, vê as dívidas "ilegítimas" como créditos contratados por governos anteriores em termos injustos, que podem ainda estar manchados pela corrupção. Anteriormente Correa já ameaçou não pagar dívidas consideradas ilegítimas. Na quarta-feira, Correa ameaçou não pagar um empréstimo de 243 milhões de dólares feito pelo banco estatal brasileiro BNDES, que o comitê de dívidas teria dito estar repleto de irregularidades. Na entrevista à televisão, Correa disse que os processos podem levar ao não-pagamento de créditos "ilegítimos", mas não explicou o que esse tipo de ação poderia implicar. Alberto Ramos, analista do Goldman Sachs, disse na quinta-feira que é de se esperar que tal conduta legal seja "bastante inconsequente", sublinhando que processos relacionados a créditos desta natureza podem levar anos se forem aceitos em cortes internacionais. Na entrevista, Correa reiterou sua promessa de limitar o pagamento de dívidas se seu governo enfrentar uma situação fiscal difícil e faltarem recursos para financiar programas sociais para os pobres. "Em nosso discurso de campanha, sempre dissemos que vamos pagar as dívidas de acordo com as possibilidades de nosso país", disse Correa na ocasião. "Mas se essas possibilidades não existirem, vamos priorizar nossa dívida social."   (Com Roberto Lameirinhas, de O Estado de S. Paulo)  

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