Equador: maioria votou a favor de assembléia, diz pesquisa

Os equatorianos deram respaldo maciço à instalação de uma Assembléia Constituinte, segundo dados extra-oficiais que apontam que 78,1% dos eleitores optaram pelo "sim", enquanto apenas 11,5% votaram no "não" na consulta popular realizada neste domingo, 15.A única pesquisa de boca-de-urna, feita pela empresa Cedatos e divulgada pela emissora de TV Ecuavisa dois minutos antes do fechamento dos centros de votação, às 17 horas (19 horas, em Brasília), assinala também que os votos nulos chegaram a 7,1% e os brancos a 3,3%.Com a falta os dados oficiais, que não serão conhecidos nos próximos dias, os resultados da pesquisa foram recebidos no Hotel Hilton Colón de Guayaquil com euforia pelo presidente do Equador, Rafael Correa, promotor da consulta e da Assembléia, e um grupo de seguidores, que se abraçaram e entoaram hinos patrióticos.Minutos depois, Correa agradeceu ao povo por autorizá-lo nas urnas a instalar a Assembléia Constituinte e ratificou que durante seu mandato manterá o esquema da dolarização."Hoje se deu a vitória mais ampla que o país possa lembrar: a do ´sim´ pelo futuro e a pátria. Muito obrigado, povo equatoriano", disse Correa.O governante pediu a seus compatriotas para comparecer "com alegria" à Assembléia Constituinte, "para ter uma democracia representativa e muito mais participativa, para despolitizar os tribunais e os organismos de controle, para descentrar, para superar o nefasto modelo neoliberal".´Ingenuidade´ Embora Correa tenha insistido em que a vitória seja "histórica", assegurou que "ainda faltam muitas batalhas para ganhar" e, por isso, pediu que busquem "os melhores homens e mulheres da pátria" para que integrem a Assembléia Constituinte.Além disso, pediu a seus compatriotas que diferenciem, "com sabedoria, os lobos, que agora vão se disfarçar de ovelhas", dos que buscam "levar o país à frente e criar uma pátria para todos".O ex-presidente Osvaldo Hurtado, líder da União Democrata-Cristã (UDC), que foi o principal porta-bandeira do "não", acusou Correa de pertencer ao "socialismo arcaico" e ao "neofascismo".O ex-governante justificou a derrota do "não" alegando que a UDC "lutou só contra o governo e os demais partidos políticos", que, na sua opinião, apoiavam o "sim" à Assembléia Constituinte."Os partidos da direita e da esquerda um dia pagarão pela ingenuidade de ter apoiado o ´sim´, sob o argumento de que queriam compartilhar o êxito do governo", comentou Hurtado em uma entrevista à emissora de TV Teleamazonas.Hurtado disse que não resta dúvidas de que o único vencedor da consulta popular é o Governo, mas ressaltou que Correa "não vai compartilhar o triunfo com ninguém".Poucos tumultos O presidente do Tribunal Supremo Eleitoral (TSE), Jorge Acosta, explicou no fechamento dos colégios eleitorais que a jornada transcorreu com normalidade e sem incidentes destacáveis.Os incidentes mais freqüentes foram derivados do atraso na instalação de muitas mesas de votação em todo o país, devido à ausência dos encarregados de atender às juntas receptoras de voto, que foram substituídos pelos primeiros cidadãos que compareceram para votar.A polícia informou que 1.338 pessoas foram detidas por violar a "lei seca", que proíbe o consumo e a venda de bebidas alcoólicas no período eleitoral.A organização Participação Cidadã, autorizada a vigiar o processo, indicou, em um primeiro relatório sobre as votações, após as observações realizadas durante a manhã, que foram detectados poucos problemas.Entre as principais novidades mencionou o fato de os deputados opositores cassados pelo Tribunal Supremo Eleitoral, sob a acusação de "interferir" na consulta, terem sido impedidos de entrar nas zonas eleitorais. Também informou que uma pessoa foi detida por carregar cédulas eleitorais adulteradas no recinto do colégio Técnico Simón Bolívar, na paróquia Tarqui, da cidade portuária de Guayaquil.Além disso, detectou em vários colégios eleitorais propaganda das duas opções, cuja difusão está proibida desde a meia-noite da quinta-feira passada, e precisou que a maioria era do "não". Texto atualizado às 22h40

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