Equador oferece ajuda à Colômbia após ataque das Farc na fronteira

Ministro nega que atentado no qual nove policiais morreram tenha partido de território equatoriano

Efe,

10 de setembro de 2010 | 18h54

Crianças fazem passeata hoje contra aumento da violência em Putumayo, na Colômbia

 

QUITO- O Equador ofereceu nesta sexta-feira, 10, ajuda humanitária e logística à Colômbia após o confronto entre guerrilheiros e policiais colombianos perto da fronteira entre ambos os países, e permitiu a passagem de militares do país vizinho por seu território.

 

"Quero desmentir de uma maneira absoluta e categórica que presumivelmente este ataque tenha sido realizado do território equatoriano", disse o ministro de Segurança Interna e Externa do Equador, Miguel Carvajal,, depois que alguns meios de comunicação afirmaram que os confrontos fossem no Equador.

 

Carvajal assegurou que seu país aumentará os dispositivos de segurança na fronteira norte com a Colômbia.

 

O Comando Conjunto das Forças Armadas do Equador informou sobre o reforço das patrulhas e a presença militar em Puerto Colón, General Farfán, a ponte internacional, Balastrera e Puerto Mestanza.

 

Carvajal enviou uma mensagem de apoio tanto ao governo como à população colombiana, depois que estas últimas semanas a violência no país vizinho aumentou.

 

O ministro anunciou hoje em entrevista coletiva a abertura dos mecanismos de troca de comunicação com a Colômbia dentro do marco da Comissão Binacional Fronteiriça (Combifron).

 

Assim, o governo equatoriano se compromete a facilitar informação de fronteira à Colômbia, depois de um confronto nesta madrugada entre a polícia colombiana e guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), que deixou nove policiais e dois insurgentes mortos.

 

Há também outros dois agentes e vários civis feridos, alguns dos quais estão sendo atendidos em hospitais do Equador, de acordo com o último balanço das autoridades.

 

Além da troca de comunicação, com o Combifron se abrirão diferentes mecanismos de ajuda à Colômbia, como a possibilidade que militares colombianos possam "visitar a região do lado equatoriano", afirmou Carvajal.

 

O ministro explicou que entrou em contato com a chanceler colombiana, María Angela Holguín, e com o ministro da Defesa desse país, Rodrigo Rivera, para oferecer-lhes ajuda humanitária.

 

Equador e Colômbia carecem atualmente de relações diplomáticas, depois que o governo equatoriano as rompeu em 2008 após um ataque do Exército colombiano contra um acampamento das Farc em território equatoriano.

 

No entanto, as relações entre ambos os países melhoraram depois que Juan Manuel Santos assumiu a Presidência da Colômbia, e seu colega do Equador, Rafael Correa, disse esperar que ambos os países restabeleçam totalmente os vínculos diplomáticos antes de dezembro.

 

37 mortos em 10 dias

 

O ataque das Farc ocorrido hoje perto da fronteira com o Equador é o último episódio de uma ofensiva guerrilheira na Colômbia que matou pelo menos 37 membros das forças de segurança em apenas dez dias.

 

As autoridades não escondem a preocupação com o recrudescimento da violência no país, especialmente em várias regiões do sudoeste, desde que Santos assumiu o poder.

 

O ataque de hoje das Farc no departamento de Putumayo é um dos mais graves junto à emboscada de 1º de setembro dessa mesma guerrilha no estado vizinho do departamento de Caquetá, na qual outros 14 policiais morreram.

 

O ataque de hoje aconteceu quando supostos guerrilheiros das Farc tentaram entrar com fuzis, metralhadoras e explosivos no município de San Miguel (Putumayo), na fronteira com o Equador, e foram combatidos por policiais.

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