Equador pedirá a site documentos sobre América Latina

O governo do presidente do Equador, Rafael Correa, pedirá ao fundador do site WikiLeaks, Julian Assange, que libere documentos relativos à América Latina, disse hoje o ministro das Relações Exteriores, Ricardo Patiño. A nação andina também ofereceu asilo político a Assange "sem qualquer tipo de condições".

AE, Agência Estado

30 de novembro de 2010 | 15h45

"Nós temos interesse em saber que informação Assange tem", disse Patiño. "É legítimo saber que informação pode ser revelada sobre ações legítimas ou ilegítimas que foram realizadas por funcionários ou civis americanos em relação a nossas nações", disse ele, em entrevista à televisão.

Correa é um político de esquerda, aliado do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e já criticou várias vezes os EUA. O site WikiLeaks divulgou no último domingo mais de 250 mil documentos diplomáticos norte-americanos. Patiño disse que membros da "extrema-direita" dos EUA tentam "desestabilizar", com "ações hostis", as nações latino-americanas "no passado e em épocas recentes". Um porta-voz da chancelaria disse que Quito fará uma oferta formal nos próximos dias de residência a Assange, caso ele peça.

''Papelão''

O presidente do Peru, Alan García, disse hoje que a publicação de documentos diplomáticos dos Estados Unidos pelo WikiLeaks é um "papelão" para os EUA, mas acredita que o fato não terá nenhuma "transcendência". "Todos sabem que os EUA têm interesses no mundo inteiro, de maneira que, se aparecerem algumas expressões como ''estamos de acordo com tal governo'', ou ''não estamos de acordo'', não é nada que seja essencialmente novo".

"É um papelão diplomático, que eles deixem que seus comentários internos sejam espionados desse jeito", afirmou García. García assinalou que o que parece ter perturbado alguns líderes mundiais é que os documentos "põem algumas frases com tom mais alto" para qualificar esses líderes, "mas a mim parece que isso não tem nenhuma transcendência".

Segundo informações da imprensa peruana, cerca de 1.500 documentos a respeito do Peru estão entre os 251 mil documentos diplomáticos dos EUA que foram vazados. As informações são da Associated Press e Dow Jones.

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