Andrea Comas/Reuters
Andrea Comas/Reuters

Equador pode levar caso Assange a Haia, diz Baltasar Garzón

Advogado quer acordo entre Reino Unido e a Suécia para proteger o criador do WikiLeaks de ser extraditado aos EUA

AE, Agência Estado

05 de setembro de 2012 | 14h41

MADRI - O Equador pode estar pronto a levar o caso do australiano Julian Assange à Corte Internacional de Justiça (CIJ) em Haia, se o Reino Unido e a Suécia não chegarem a um acordo para proteger o fundador do WikiLeaks de uma possível extradição aos Estados Unidos, disse nesta quarta-feira, 5, o ex-juiz espanhol Baltasar Garzón, que assumiu a defesa do editor do website. "Meu entendimento é que essa medida (levar o caso à CIJ) apenas ocorreria se não houver acordo entre as partes envolvidas."

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Garzón afirmou que sua maior preocupação, compartilhada pelo governo equatoriano, é que Assange seja enviado aos EUA sob acusações de espionagem ou de traição, relacionadas às atividades do WikiLeaks. A CIJ, tribunal das Nações Unidas, julga litígios e disputas entre países.

Assange é procurado pela justiça da Suécia sob acusações de estupro feitas por duas mulheres. A violência sexual teria ocorrido quando ele visitou Estocolmo em 2010. Assange, além de negar as acusações, acredita que o governo dos EUA poderá processá-lo porque o WikiLeaks publicou centenas de milhares de documentos diplomáticos e secretos do Departamento de Estado a partir de 2010.

As declarações de Garzón indicam que o caso Assange poderá virar uma dor de cabeça ainda maior para o governo britânico, após meses de apelações diplomáticas e jurídicas. Assange, que estava sob prisão domiciliar no interior da Inglaterra, se refugiou na Embaixada do Equador em Londres em junho e pediu asilo político, concedido em agosto pelo governo equatoriano.

No entanto, as autoridades britânicas não lhe deram um salvo-conduto e o australiano pode ser preso se sair da embaixada. Garzón pede ao governo britânico que deixe Assange partir livremente ao Equador.

Se uma promessa de não extradição aos EUA for feita, tanto pelo governo britânico quanto pelo sueco, Assange estaria pronto para viajar a Estocolmo "no dia seguinte", disse Garzón.

Com Dow Jones

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